Dor no Ombro

Dor no ombro esquerdo que vai e volta

Entenda o que está por trás da dor no ombro esquerdo que vai e volta, quais lesões são mais frequentes e como avaliar sinais que pedem consulta.

Dor no ombro esquerdo que vai e volta é um sintoma comum, mas não deve ser tratado como “normal” quando passa a se repetir.

Em muitos casos, o quadro alterna períodos de melhora e piora por causa de sobrecarga, postura, movimentos repetitivos ou pequenas inflamações que variam conforme o uso do braço.

Em outros, a dor recorrente é um sinal inicial de lesões tendíneas, instabilidade articular, irritação de bursas ou até alterações na coluna cervical que irradiam para o ombro.

O ponto principal é simples: dor intermitente costuma ter gatilhos. Identificar esses gatilhos ajuda a reduzir crises e evita que um problema tratável evolua para limitação funcional.

Dor no ombro esquerdo que vai e volta: por que acontece?

A articulação do ombro tem grande amplitude de movimento e depende de tendões, músculos e ligamentos para manter estabilidade.

Quando existe desequilíbrio de força, inflamação local ou atrito de estruturas, a dor pode aparecer em atividades específicas e regredir com repouso, voltando na próxima sobrecarga.

Alguns fatores que favorecem esse padrão:

  • Trabalho com braço elevado ou à frente do corpo por longos períodos.
  • Treino com técnica inadequada ou carga acima do tolerável.
  • Postura sustentada no computador, com escápulas “travadas” e pescoço tenso.
  • Episódios prévios de trauma, mesmo que pareçam leves.
  • Piora em dias de estresse, com aumento de tensão muscular na cintura escapular.

Causas mais frequentes de dor intermitente no ombro esquerdo

Tendinopatia do manguito rotador

Os tendões do manguito rotador estabilizam o ombro durante os movimentos.

Microlesões por uso repetitivo podem gerar dor em pontadas ou em “peso”, com piora ao elevar o braço, alcançar objetos altos ou deitar sobre o lado esquerdo. Em fases iniciais, o sintoma é oscilante.

Bursite subacromial

A bursa é uma estrutura que reduz atrito entre tendões e osso.

Quando inflama, a dor pode surgir após esforço, treinos ou tarefas domésticas repetidas, melhorando depois de repouso e voltando quando o ombro é exigido novamente.

Síndrome do impacto e atrito mecânico

Em algumas pessoas, o espaço por onde passam tendões e bursa fica “apertado” durante certos ângulos do movimento.

Isso gera dor que aparece em faixas específicas (por exemplo, ao elevar o braço) e alivia ao retornar para posições neutras.

Instabilidade e microinstabilidade

Em ombros mais “soltos” ou com histórico de luxação/sub-luxação, pode existir microinstabilidade.

O sintoma costuma alternar, piora com gestos esportivos, movimentos rápidos ou sustentados e pode vir com sensação de falha, estalo ou insegurança.

Alterações na articulação acromioclavicular

Dor na parte superior do ombro, perto da clavícula, pode variar com treino de peitoral, apoio do braço, cruzar o braço na frente do corpo ou carregar peso. Em quadros iniciais, a dor frequentemente vai e volta.

Coluna cervical e dor referida

Irritação de raízes nervosas no pescoço ou contraturas cervicais podem provocar dor que “engana” e aparece no ombro, variando conforme a postura, tempo no computador e qualidade do sono.

Quando há formigamento, alteração de força ou dor que desce para o braço, a hipótese ganha mais peso.

Como observar o padrão da dor

Use uma lógica simples por 7 a 14 dias:

  1. Quando a dor aparece (treino, trabalho, sono, direção, celular)
  2. Que movimento piora (elevar, rodar, alcançar atrás das costas)
  3. Onde dói (lateral, anterior, superior, posterior)
  4. Se existe rigidez matinal, estalos, fraqueza ou perda de amplitude

Essas informações ajudam a direcionar o exame físico e a indicação de exames quando necessários.

Sinais de alerta que pedem avaliação sem demora

Procure atendimento médico se houver:

  • Dor após queda com perda de movimento relevante.
  • Fraqueza súbita para elevar o braço.
  • Deformidade, inchaço importante ou calor local intenso.
  • Dor noturna persistente que não melhora com medidas simples.
  • Formigamento progressivo, perda de força na mão ou dor irradiada intensa.
  • Febre associada e piora rápida do quadro.

O que ajuda nas crises leves

Medidas conservadoras podem reduzir recorrências quando o quadro é mecânico e sem sinais de gravidade:

  • Ajuste de atividade por alguns dias, reduzindo gestos que disparam a dor.
  • Correção de ergonomia (altura de tela, apoio de antebraço, pausa ativa).
  • Fortalecimento orientado de manguito rotador e estabilizadores da escápula.
  • Melhora de mobilidade torácica e controle de postura durante tarefas.
  • Retorno gradual ao treino, respeitando dor e técnica.

Se a dor repete por semanas, um médico ortopedista especialista em ombro deve avaliar o quadro e estabelecer o tratamento alinhado.

Como é feita a investigação em consultório

A avaliação combina história clínica, exame físico e testes específicos. O profissional observa a amplitude, força, controle escapular e pontos dolorosos.

Exames de imagem entram quando o exame sugere lesão tendínea, bursite relevante, instabilidade, artrose acromioclavicular ou quando a evolução não acompanha o esperado com tratamento conservador.

Perguntas frequentes (FAQ)

Dor no ombro esquerdo que vai e volta pode ser só postura?

Pode, principalmente quando piora após longos períodos no computador ou celular. Ainda assim, dor recorrente merece avaliação, já que postura pode coexistir com tendinopatia e sobrecarga.

Quando a dor intermitente indica lesão no manguito rotador?

Quando há dor ao elevar o braço, perda de força, incômodo para vestir roupa, alcançar prateleiras ou deitar sobre o lado afetado, mesmo que com fases de melhora.

Estalo junto com dor que aparece e some é preocupante?

Estalos podem ser benignos, mas quando vêm acompanhados de dor, fraqueza ou sensação de travamento, é melhor investigar instabilidade, atrito mecânico ou inflamação.

Dor que melhora com repouso significa que não é grave?

Não necessariamente. Muitas lesões iniciais melhoram com repouso e voltam com a carga. O risco é manter o ciclo e evoluir para limitação funcional.

Quais exames costumam ser solicitados?

Ultrassom pode avaliar tendões e bursas; raio-X ajuda em alterações ósseas e articulação acromioclavicular; ressonância costuma ser indicada quando há suspeita de lesões mais complexas ou persistência dos sintomas.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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