Tratamentos e Procedimentos

Cirurgia De Cotovelo É Perigoso?

Entenda quando a cirurgia de cotovelo é perigoso, quais são os principais riscos e como tornar o procedimento mais seguro.

Quando o assunto é se cirurgia de cotovelo é perigoso, a dúvida costuma vir carregada de receio.

No consultório, escuto isso de forma frequente, principalmente em pacientes que já tentaram tratamentos sem cirurgia e ainda convivem com dor, perda de força ou limitação para atividades simples, como pentear o cabelo, dirigir, pegar peso leve ou apoiar o braço.

A verdade é direta: toda cirurgia tem riscos. Só que, na maioria dos casos, eles podem ser reduzidos com uma boa indicação, preparo adequado e técnica bem executada.

O cotovelo é uma articulação complexa, com nervos importantes passando muito próximos, o que exige cuidado e planejamento.

A seguir, você vai entender quais são os riscos reais, o que torna o procedimento mais seguro e quais sinais indicam que não tem como mais “esperar melhorar sozinho”.

Quando a cirurgia de cotovelo é indicada

A cirurgia não é o primeiro passo para a maior parte dos problemas do cotovelo.

Em geral, a indicação aparece quando há falha do tratamento clínico ou quando existe uma lesão estrutural que não tende a resolver sem intervenção.

Entre os cenários comuns, destacam-se:

  • Fraturas que precisam de fixação para alinhar e estabilizar.
  • Rigidez importante com perda de movimento.
  • Compressões nervosas, como a síndrome do túnel cubital (nervo ulnar).
  • Instabilidade ligamentar após trauma.
  • Rupturas tendíneas (bíceps distal, tríceps).
  • Artrose avançada, com dor persistente e travamento.
  • “Corpos livres” dentro da articulação, causando bloqueios.
  • Epicondilite com critérios cirúrgicos bem definidos, após longo tempo de tratamento sem melhora.

Cada diagnóstico tem um perfil de risco e uma estratégia cirúrgica diferente. Por isso, comparar casos de amigos ou relatos da internet costuma confundir mais do que ajudar.

Cirurgia de cotovelo é perigoso?

O cotovelo tem características que merecem respeito:

  • Proximidade de nervos: O nervo ulnar (do “choque” no osso do cotovelo) passa em uma região superficial. Outros nervos e vasos também ficam perto do campo cirúrgico.
  • Articulação propensa à rigidez: O cotovelo pode “endurecer” com mais facilidade do que outras articulações, exigindo reabilitação bem conduzida.
  • Diversas estruturas em pouco espaço: Ossos, ligamentos, tendões e cápsula articular ficam muito próximos, o que torna a técnica e a experiência do cirurgião ainda mais relevantes.

Esses fatores não significam que a cirurgia seja “perigosa por natureza”. Significam que ela precisa ser feita com critério, com plano de reabilitação e com acompanhamento.

Principais riscos e complicações possíveis

Os riscos variam conforme o tipo de cirurgia (aberta, artroscópica, fixação óssea, reparo tendíneo, descompressão de nervo). Mesmo assim, existe um grupo de complicações que vale conhecer:

Infecção

É incomum, mas possível. A prevenção envolve assepsia rigorosa, cuidados com curativo e orientação pós-operatória clara.

Rigidez e perda de amplitude

É uma das principais preocupações. No dia a dia do consultório, a diferença entre um bom e um ótimo resultado muitas vezes está na fisioterapia certa, no tempo certo, respeitando o que foi operado.

Lesão ou irritação de nervos

Pode ocorrer dormência, formigamento ou dor em trajeto nervoso. Em muitos casos, quando aparece, é transitório. Em outros, exige reavaliação.

Sangramento, hematoma e inchaço

Mais comum no pós-operatório imediato, melhorando com medidas simples e orientação adequada.

Trombose

É mais associada a cirurgias de membros inferiores, mas não é zero em membros superiores, principalmente em pessoas com fatores de risco. O cirurgião define a prevenção caso a caso.

Falha do reparo ou necessidade de nova cirurgia

Pode acontecer em reparos tendíneos, reconstruções ligamentares ou em situações com osso de baixa qualidade. Por isso, seguir restrições de carga e movimento no pós-operatório é parte do tratamento.

O que aumenta a segurança do procedimento

Se a pergunta é “o que faz a cirurgia ser mais segura?”, eu olho para alguns pilares:

  • Diagnóstico bem fechado, com exame físico e imagem coerentes.
  • Indicação correta, sem antecipar cirurgia quando ainda há opções clínicas bem feitas.
  • Planejamento técnico, escolhendo via de acesso, material e estratégia de proteção dos nervos.
  • Controle de comorbidades, como diabetes, tabagismo e obesidade, que atrapalham cicatrização.
  • Reabilitação estruturada, com metas realistas e acompanhamento próximo.

A minha orientação é consultar um especialista em cirurgia de cotovelo para tirar todas as dúvidas antes de decidir, porque isso ajusta expectativa, reduz ansiedade e evita escolhas baseadas em medo.

Como é a recuperação e o que esperar no pós-operatório

A recuperação depende do que foi feito:

  • Em procedimentos mais simples, a mobilidade pode ser estimulada cedo.
  • Em reparos de tendão ou reconstruções, o cotovelo pode precisar de proteção com órtese e restrição de carga por um período.
  • Em fraturas, a prioridade é consolidar o osso com alinhamento e iniciar movimento no momento seguro.

O que eu reforço aos meus pacientes é que “tempo” sozinho não resolve.

O pós-operatório precisa de direção: controle de dor, cuidado com ferida operatória, fisioterapia bem orientada e retorno programado para ajustes.

Sinais de alerta para procurar reavaliação

Alguns sintomas pedem contato com a equipe sem esperar:

  1. Febre persistente.
  2. Vermelhidão progressiva, secreção ou mau cheiro no curativo.
  3. Dor que piora de forma importante, sem resposta às medidas orientadas.
  4. Perda súbita de força na mão ou piora importante de dormência.
  5. Inchaço exagerado no braço, com coloração diferente ou dor fora do padrão.

Avaliar cedo evita que pequenas intercorrências virem problemas maiores.

FAQs

1) Cirurgia de cotovelo é perigoso em qualquer idade?

Não. A idade pesa menos do que o estado geral de saúde, o diagnóstico e a técnica indicada para o caso.

2) Toda cirurgia de cotovelo causa rigidez?

Não. Existe risco, mas ele cai bastante com indicação correta e reabilitação bem conduzida.

3) Artroscopia de cotovelo é mais segura do que cirurgia aberta?

Depende do problema. Em alguns casos, a artroscopia ajuda; em outros, a cirurgia aberta é a melhor escolha.

4) Quanto tempo demora para voltar a trabalhar?

Varia conforme a cirurgia e a profissão. Atividades leves podem voltar antes; trabalho braçal costuma exigir mais tempo.

5) Dormência na mão depois da cirurgia é normal?

Pode acontecer, principalmente quando há manipulação perto de nervos. Se piorar ou persistir, precisa de reavaliação.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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