Artrose Acromioclavicular Tem Cura?
Entenda os sinais de alerta, como é feito o diagnóstico e tratamento e se artrose acromioclavicular tem cura.
A dúvida se a artrose acromioclavicular tem cura é bem comum no consultório. Em geral, o paciente descreve dor bem no alto do ombro, percebe estalos quando eleva o braço e, com o tempo, começa a reduzir alguns movimentos por receio de piora.
A articulação acromioclavicular fica no topo do ombro, exatamente na união entre a clavícula e o acrômio, que faz parte da escápula.
Como essa área é solicitada em tarefas simples e em treinos, principalmente com o braço acima da linha do ombro, pode ocorrer desgaste gradual.
Quando isso acontece, é comum surgir inflamação local, aumento da sensibilidade e queda da mobilidade.
O ponto principal é entender o que significa “cura” nesse contexto. A artrose é um processo degenerativo e não existe um método que faça a cartilagem voltar ao estado original.
Mesmo assim, existe tratamento com objetivo claro: reduzir a dor, melhorar a função, recuperar a amplitude de movimento e permitir o retorno seguro às atividades, com ajustes de carga e reabilitação bem conduzida.
O que é artrose acromioclavicular?
A artrose acromioclavicular é o desgaste progressivo da articulação acromioclavicular.
A cartilagem que recobre as superfícies ósseas perde qualidade, surgem irregularidades e, em alguns casos, há a formação de osteófitos (pequenos “bicos” ósseos).
Esse conjunto altera a mecânica do ombro, favorece inflamação local e pode gerar dor, principalmente em movimentos de elevação do braço, cruzar o braço à frente do corpo ou sustentar cargas com o membro superior.
Em parte dos pacientes, o quadro fica silencioso por meses ou anos e aparece em exames feitos por outros motivos.
Já em outros, a dor se manifesta cedo, especialmente quando há sobrecarga repetitiva, treino intenso, histórico de trauma ou lesões associadas no complexo do ombro.
Quais os sintomas?
Os sintomas variam em intensidade e nem sempre acompanham o grau do desgaste visto na imagem. A queixa mais típica é dor bem localizada no topo do ombro, muitas vezes sensível ao toque.
Entre outros sintomas relatados, destacamos:
- Estalos ou sensação de atrito ao movimentar o braço.
- Rigidez e redução da amplitude, principalmente em elevação.
- Piora noturna, especialmente ao deitar sobre o lado afetado.
- Desconforto ao cruzar o braço na frente do corpo.
Em alguns pacientes, a dor pode coexistir com outras causas de dor no ombro, como tendinopatia do manguito rotador e síndrome do impacto.
Por isso, não é adequado concluir o diagnóstico apenas pela localização da dor, sem avaliação funcional do ombro como um todo.
Artrose acromioclavicular tem cura?
Não existe cura no sentido de reverter definitivamente o desgaste. A cartilagem não volta ao estado original e o processo degenerativo não “desaparece”.
Mesmo assim, a artrose acromioclavicular tem cura pode ser entendida de outro jeito no consultório: é possível controlar o quadro com alto nível de melhora clínica, reduzir crises, recuperar a função e manter a rotina com menos dor.
O resultado depende de um plano consistente: ajuste de carga, reabilitação bem prescrita e correção de fatores que irritam a articulação.
Quando isso é feito com critério, muitos pacientes ficam longos períodos sem limitações relevantes.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa na consulta, com histórico bem coletado e exame físico.
A localização da dor, a presença de estalos, a limitação em movimentos específicos e a resposta a testes clínicos direcionam a suspeita. Em seguida, exames de imagem ajudam a confirmar e graduar o desgaste.
- Radiografia: mostra a redução do espaço articular e sinais de degeneração.
- Ressonância magnética: útil para avaliar tecidos moles e investigar lesões associadas, como tendões do manguito rotador.
Nem sempre o achado de artrose no exame explica todo o quadro.
Quando há sinais de impacto, tendinopatia ou instabilidade, a conduta precisa contemplar o ombro de forma global para que o tratamento funcione de verdade.
Qual tratamento para artrose acromioclavicular?
O tratamento geralmente começa de forma conservadora, cujo objetivo inicial é reduzir a inflamação e dor, preservar a mobilidade e fortalecer a musculatura que estabiliza o ombro.
Em geral, a combinação de medidas traz mais resultado do que uma ação isolada.
Tratamento conservador
- Ajuste de atividades: redução temporária de movimentos repetitivos acima da cabeça e de cargas que provocam dor.
- Fisioterapia: foco em mobilidade, controle escapular e fortalecimento progressivo, com exercícios bem escolhidos para não irritar a articulação.
- Medicações: analgésicos e anti-inflamatórios, quando indicados e por tempo orientado, considerando riscos e histórico do paciente.
- Gelo local: útil em crises dolorosas, com uso orientado e sem excesso.
A fisioterapia costuma ser o eixo do tratamento, organizando o retorno de movimentos, melhorando estabilidade do ombro e reduzindo a sobrecarga direta na articulação acromioclavicular.
Quando o paciente tenta “compensar” a dor alterando o movimento, a mecânica piora e a dor tende a persistir.
Infiltração
Em quadros com dor persistente, a infiltração pode ser considerada para controle da inflamação e alívio dos sintomas.
Ela não reverte a artrose, mas pode facilitar a reabilitação e melhorar a funcionalidade. A indicação depende da avaliação clínica e do histórico de resposta do paciente ao tratamento conservador.
Cirurgia
Quando o tratamento conservador bem feito não traz alívio adequado e há limitação importante, a cirurgia pode ser indicada.
Um procedimento frequentemente utilizado é a ressecção da extremidade distal da clavícula por artroscopia (técnica tipo Mumford).
O objetivo é reduzir o conflito mecânico e aliviar a dor. A decisão cirúrgica deve levar em conta sintomas, exames, demandas do paciente e possíveis lesões associadas no ombro.
Se tenho sintomas de artrose acromioclavicular, que médico devo procurar?
Em casos de dor recorrente, limitação para trabalhar ou treinar, e piora noturna, vale agendar uma consulta com profissional especialista em ombro e cotovelo para uma avaliação completa e um plano de tratamento bem direcionado.
O especialista avalia a articulação acromioclavicular e também investiga outras causas frequentes de dor no ombro que podem coexistir.
Na prática clínica, a diferença está no detalhe: teste físico bem conduzido, correlação com sintomas e escolha adequada de reabilitação, o que evita tratamentos genéricos e reduz o risco de prolongar o desconforto por meses.



