Cotovelo

O Que Pode Ser Dor no Cotovelo? Causas Mais Comuns

Descubra o que pode ser dor no cotovelo, o que pode causar e quando se preocupar.

É muito comum um paciente chegar ao consultório com a seguinte pergunta: o que pode ser dor no cotovelo?

Pode ter várias origens. Em alguns casos, aparece por esforço repetido, excesso de carga ou inflamação nos tendões. Também pode estar ligada à compressão de nervos, bursite, artrite, fraturas ou luxações após uma queda ou pancada.

Onde a dor aparece, como ela começou e se vem acompanhada de inchaço, fraqueza, formigamento ou dificuldade para mexer o cotovelo já dão pistas importantes.

Mesmo com esses sinais, a confirmação depende da avaliação médica, do exame físico e, quando indicado, de exames de imagem.

O que pode ser dor no cotovelo

A resposta mais honesta é: depende do padrão da dor. Quando você observa se ela fica na parte de fora, de dentro, atrás ou na frente do cotovelo, já fica mais fácil entender quais problemas podem estar por trás.

Epicondilite lateral

Quando a dor fica na parte de fora do cotovelo, uma das causas mais comuns é a epicondilite lateral, também chamada de cotovelo de tenista.

Apesar do nome, ela não atinge só atletas. Também é frequente em quem usa muito o punho e a mão no trabalho, como quem digita, usa ferramentas, carrega peso ou repete o mesmo movimento muitas vezes.

Geralmente a dor começa aos poucos, piora ao apertar a mão, levantar objetos, torcer pano, usar chave de fenda ou estender o punho contra resistência. Em muitos casos, a pessoa também percebe fraqueza na pegada.

Epicondilite medial

Quando a dor aparece na parte externa do cotovelo, a epicondilite medial é uma das principais suspeitas.

Ela é conhecida como cotovelo de golfista, mas também aparece em pessoas que fazem movimentos repetidos de flexão do punho, pegam peso com frequência ou treinam com técnica ruim e carga acima do ideal.

O quadro costuma dar dor e sensibilidade na região interna do cotovelo e do antebraço. Em geral, piora quando a pessoa dobra o punho, fecha a mão com força ou insiste em atividades que exigem esforço repetitivo.

Síndrome do túnel cubital

Quando a dor no cotovelo vem acompanhada de formigamento, dormência no dedo mínimo e em parte do anelar, a suspeita muda bastante. Nessa situação, pode haver compressão do nervo ulnar no cotovelo, quadro chamado de síndrome do túnel cubital.

A dor ou o formigamento pode piorar quando o cotovelo fica dobrado por muito tempo. Isso acontece ao dirigir, segurar o celular, dormir com o braço flexionado ou apoiar o cotovelo em uma superfície dura.

Quando a compressão do nervo avança, a mão pode perder força. Tarefas delicadas, como abotoar uma camisa, escrever ou segurar objetos pequenos, também podem ficar mais difíceis.

Bursite olecraniana

Se a dor fica atrás do cotovelo e aparece junto com um inchaço arredondado, a bursite olecraniana é uma possibilidade importante.

A bursa é uma pequena bolsa com líquido que ajuda a reduzir o atrito na articulação, e ela pode inflamar depois de pressão repetida, trauma local ou infecção.

Muitos pacientes percebem dor ao apoiar o cotovelo na mesa, sensibilidade ao toque e aumento de volume na ponta do osso. Quando há calor, vermelhidão importante e febre, o quadro pode estar infectado e merece avaliação rápida.

Lesão do tendão distal do bíceps

Dor na frente do cotovelo, principalmente ao levantar peso ou ao girar a palma da mão para cima, pode ter relação com o tendão distal do bíceps.

Em quadros leves, pode haver irritação ou sobrecarga, mas um estalo súbito durante esforço forte, seguido de hematoma e perda de força, aumenta a suspeita de ruptura.

Esse ponto merece atenção porque a fraqueza para dobrar o braço ou girar o antebraço pode persistir se a lesão for importante. Quanto mais típico o quadro, mais vale procurar avaliação sem adiar.

Artrite e artrose

Nem toda dor no cotovelo vem de tendão ou nervo. Em algumas pessoas, o problema está na própria articulação, como acontece na artrite inflamatória ou na artrose do cotovelo.

Nesses casos, além da dor, podem aparecer rigidez, estalos, sensação de travamento, perda de movimento e inchaço que tende a piorar com a evolução.

Esse tipo de dor é mais comum quando há desgaste, inflamação articular ou histórico de trauma anterior.

Entorse, luxação e fratura

Depois de uma queda, pancada ou torção, a dor no cotovelo pode indicar lesão traumática. Dependendo do mecanismo, pode haver entorse ligamentar, luxação ou fratura, inclusive fraturas que dificultam dobrar, esticar ou girar o antebraço.

Nesses cenários, dor intensa, inchaço, hematoma, deformidade, estalo, incapacidade de mexer o braço e dormência nos dedos são sinais que não combinam com observação caseira prolongada.

O ideal é procurar um ortopedista especialista em ombro e cotovelo qualificado em investigação clínica e por imagem para examinar a articulação e definir se há necessidade de imobilização, radiografia ou outro exame.

Quando a dor no cotovelo preocupa mais

Nem toda dor é urgente, mas alguns sinais mudam o nível de atenção. Eles sugerem trauma importante, infecção, lesão nervosa ou perda funcional relevante.

Procure avaliação médica mais rápida se houver:

  • Deformidade visível após queda ou pancada;
  • Dor forte com inchaço, roxo ou dificuldade de mover o braço;
  • Estalo súbito durante esforço, seguido de fraqueza;
  • Febre, vermelhidão intensa ou calor no local;
  • Formigamento persistente ou perda de força na mão;
  • Dor que não melhora mesmo com repouso e adaptação das atividades.

Se o cotovelo estiver em posição anormal, se houver sangramento associado ao trauma ou se você não conseguir usar o braço como de costume, o mais seguro é buscar pronto atendimento.

Como o médico diagnostica

A localização da dor é só o começo. Na consulta, o médico avalia quando o sintoma começou, se houve trauma, quais movimentos pioram o quadro, se existe rigidez, formigamento, inchaço, perda de força e qual região dói ao toque.

Muitas vezes, o exame físico já aponta o caminho.

Quando necessário, podem ser pedidos exames como radiografia para suspeita de fratura ou artrose, ultrassom para tendões e bursas, ressonância magnética para partes moles e exames de condução nervosa quando há suspeita de compressão do nervo ulnar.

O que pode ajudar até a avaliação

Em casos leves e sem sinais de alerta, alguns cuidados simples podem aliviar o incômodo nos primeiros dias. Eles não substituem a consulta quando a dor persiste, mas podem ajudar a controlar a irritação da região.

Você pode começar com estas medidas:

  1. Reduzir ou pausar a atividade que dispara a dor.
  2. Aplicar gelo por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia, protegendo a pele com um pano.
  3. Evitar apoiar o cotovelo em superfícies duras.
  4. Revisar postura, altura da mesa, teclado, mouse e carga de treino.
  5. Voltar aos esforços de forma gradual, não de uma vez.

Remédio por conta própria nem sempre é a melhor saída, especialmente se a dor for recorrente, se houver inchaço importante ou se existir suspeita de lesão mais séria.

Quando o problema se arrasta, insistir na rotina pode prolongar a inflamação e dificultar a recuperação.

Perguntas frequentes

Dor no cotovelo pode ser tendinite?

Sim. A dor no cotovelo pode surgir por sobrecarga ou inflamação dos tendões, como ocorre na epicondilite lateral e na epicondilite medial. Costuma piorar ao pegar peso, apertar objetos, digitar, usar ferramentas ou repetir movimentos com o punho e a mão.

Dor no cotovelo com formigamento nos dedos é perigosa?

Dor acompanhada de formigamento, dormência no dedo mínimo e parte do anelar pode indicar compressão do nervo ulnar, como na síndrome do túnel cubital. Quando o sintoma persiste ou vem com perda de força, vale procurar avaliação médica.

Dor atrás do cotovelo com inchaço pode ser bursite?

Pode. Um inchaço arredondado na parte de trás do cotovelo pode ter relação com bursite olecraniana. Se houver vermelhidão intensa, calor local, dor forte ou febre, a avaliação deve ser mais rápida, pois pode existir infecção.

Quando a dor no cotovelo precisa de atendimento urgente?

Procure atendimento rápido se a dor surgiu após queda ou pancada forte, com deformidade, inchaço intenso, hematoma, incapacidade de mexer o braço, dormência nos dedos ou estalo seguido de fraqueza. Esses sinais podem indicar fratura, luxação ou lesão importante.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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