Reabilitação e Recuperação

Muita Dor No Ombro Após Artroscopia: O Que Pode Ser

Saiba quando a dor pós-artroscopia de ombro é normal e quando exige avaliação. Dicas para aliviar muita dor no ombro após artroscopia e recuperar com segurança.

Sentir muita dor no ombro após artroscopia é uma das queixas mais comuns que escuto no consultório nas primeiras semanas.

A artroscopia é uma cirurgia minimamente invasiva, só que o ombro continua sendo uma articulação complexa, com tendões, cápsula, bursa e nervos muito sensíveis.

A dor pode fazer parte do esperado no pós-operatório, principalmente quando houve reparo do manguito rotador, tratamento do labrum, do bíceps ou remoção de inflamação importante.

O ponto aqui é diferenciar o que é dor típica de recuperação do que pode indicar complicação ou ajuste necessário no plano de reabilitação.

O que costuma ser normal nas primeiras semanas

Em muitos pacientes, a dor é mais intensa nos primeiros 7 a 14 dias. Ela tende a variar ao longo do dia, piora com movimentos involuntários e pode incomodar bastante para dormir.

Outros sintomas que podem aparecer sem indicar problema grave:

  • Sensação de peso no braço operado.
  • Desconforto ao tentar deitar sobre o lado operado.
  • Dor ao movimentar o braço para vestir roupa ou higienizar.
  • Rigidez progressiva se o ombro fica muito tempo “travado” no imobilizador.

O controle da dor depende do tipo de procedimento realizado, do limiar individual, do padrão de inflamação do ombro e da qualidade do repouso.

Nos meus pacientes, quando o sono melhora, a percepção de dor costuma cair de forma relevante.

Principais causas de muita dor no ombro após artroscopia

Inflamação pós-cirúrgica e sensibilidade dos tecidos

Mesmo com cortes pequenos, existe uma manipulação interna. Tendões e bursa podem ficar irritados por alguns dias ou semanas.

Esse quadro pode gerar dor em “pontadas”, que sobe para o pescoço ou desce para o braço.

Rigidez e capsulite pós-operatória

Um motivo frequente de dor persistente é a rigidez. O ombro endurece, o movimento diminui e a dor aparece quando a fisioterapia começa a tentar recuperar amplitude.

Em pessoas com histórico de ombro congelado, diabetes ou longos períodos de imobilização, esse risco aumenta.

Sobrecarga antes da hora

É comum o paciente se sentir melhor em alguns dias e tentar dirigir, levantar peso, apoiar o braço para levantar da cama ou fazer tarefas domésticas mais exigentes.

Esse excesso pode inflamar o ombro e “reacender” a dor.

Dor referida do pescoço e tensão muscular

Trapézio e musculatura cervical podem ficar contraídos por postura de proteção, uso do tipoia e noites mal dormidas.

A dor pode parecer “do ombro”, só que parte vem do pescoço.

Reação ao material de sutura ou irritação do bíceps

Dependendo do procedimento, âncoras e fios podem gerar incômodo transitório. O tendão do bíceps também pode ficar sensível, gerando dor na frente do ombro.

Sinais de alerta: infecção, trombose, lesão importante ou falha do reparo

São situações menos comuns, só que não podem ser ignoradas. Dor muito forte e progressiva, fora do padrão do seu pós-operatório, precisa ser avaliada.

O que ajuda a controlar a dor com segurança

A melhor conduta é seguir o protocolo do seu cirurgião, já que cada técnica e cada reparo têm limites de movimento e prazos específicos.

Medidas que podem ajudar:

  1. Uso correto do imobilizador, no tempo indicado.
  2. Gelo por períodos curtos, várias vezes ao dia, protegendo a pele.
  3. Medicações apenas conforme prescrição.
  4. Fisioterapia no ritmo certo: nem agressiva cedo demais, nem atrasada por semanas.
  5. Ajustes para dormir: travesseiro sob o braço e apoio atrás das costas costumam reduzir tensão.
  6. Higiene de movimento: evitar trancos, apoiar o peso do corpo no braço operado e movimentos acima da cabeça antes do momento liberado.

Uma orientação que repito muito é fazer reavaliação periódica com ortopedista especialista em artroscopia de ombro e cotovelo, principalmente quando a dor foge do padrão, quando o ombro fica cada vez mais rígido ou quando a reabilitação estagna.

Quando procurar atendimento sem adiar

Procure avaliação médica rápida se aparecer um ou mais destes sinais:

  • Febre, calafrios, mal-estar importante.
  • Vermelhidão forte, calor local, secreção na ferida ou mau cheiro.
  • Dor que só piora, sem qualquer alívio com o plano prescrito.
  • Inchaço importante no braço ou na mão, com mudança de cor.
  • Falta de ar, dor no peito, palpitações.
  • Perda súbita de força, dormência intensa ou alteração neurológica nova.

Esses quadros exigem exame físico e, em alguns casos, exames complementares para confirmar a causa e ajustar a conduta.

Quanto tempo demora para a dor melhorar

Não existe um único prazo. Procedimentos simples podem melhorar em poucas semanas.

Já reparos tendíneos mais complexos podem gerar dor e limitação por alguns meses, com melhora gradual conforme a cicatrização evolui e a função volta.

O melhor marcador costuma ser a tendência: episódios de dor ainda podem existir, só que a intensidade e a frequência devem cair com o tempo, junto com ganho de movimento e retorno progressivo das atividades.

FAQs

1) É normal sentir muita dor no ombro após artroscopia à noite?

Sim, é muito comum. Posição para dormir, tensão no pescoço e inflamação local aumentam o incômodo noturno.

2) A fisioterapia pode aumentar a dor?

Pode, especialmente quando existe rigidez. Dor controlável é aceitável; dor forte e prolongada pede ajuste do plano.

3) Quanto tempo devo usar tipoia?

Depende do procedimento. Reparos do manguito e do labrum costumam exigir mais tempo. Siga o prazo definido pelo seu cirurgião.

4) Quais sinais podem indicar infecção?

Febre, vermelhidão intensa, calor local, secreção na ferida e piora progressiva da dor.

5) A dor pode indicar que “rompeu de novo”?

Nem sempre. Sobrecarga pode inflamar sem falha do reparo. Persistência de dor forte e perda funcional precisam de avaliação.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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