Patologias do Ombro

Tendinite Calcificante do Ombro: Sintomas, Causas e Tratamento

Um guia completo sobre tendinite calcificante do ombro, desde o que pode causar, quem tem mais risco até os tratamentos mais eficazes.

Na tendinite calcificante do ombro, pequenos acúmulos de cálcio se depositam nos tendões do manguito rotador, com maior frequência no supraespinal.

Esse quadro pode provocar dor forte, dificuldade para erguer o braço e piora do incômodo durante a noite. Em alguns casos, aparece sem sintomas claros e só é percebida em exames de imagem.

A boa notícia é que a maioria dos casos melhora sem cirurgia. O ponto mais importante é acertar o diagnóstico, entender a fase da doença e escolher o tratamento de acordo com a intensidade da dor, o tamanho do depósito e o impacto na função do ombro.

O que é a tendinite calcificante do ombro

Essa condição acontece quando cristais de hidroxiapatita se acumulam dentro do tendão. Não é exatamente a mesma coisa que uma calcificação degenerativa vista em exames de imagem de pessoas com desgaste do manguito.

Em geral, a doença passa por quatro fases: pré-calcífica, formativa, reabsortiva e pós-calcífica.

A fase formativa pode causar pouco incômodo ou nenhum sintoma. Já a fase de reabsorção é a mais dolorosa, porque o corpo reage ao depósito com inflamação local, às vezes associada à bursite subacromial.

Quais são os sintomas mais comuns

Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra, mas existe um padrão que aparece com frequência:

  • Dor na frente ou na lateral do ombro;
  • Dor ao elevar o braço ou fazer movimentos acima da cabeça;
  • Rigidez ou sensação de travamento;
  • Piora da dor à noite;
  • Crises súbitas de dor intensa, mesmo sem trauma recente;
  • Perda temporária de movimento por dor ou inflamação.

Quando a dor fica muito forte, o quadro pode se confundir com impacto do ombro, bursite, capsulite adesiva e até infecção articular em situações mais agudas.

Por isso, o ideal é passar por um ortopedista especialista em ombro e cotovelo para o correto diagnóstico, pois não vale tratar todo ombro doloroso como se fosse só tendinite.

O que causa esse problema e quem tem mais risco

A causa exata ainda não está totalmente definida.

As fontes mais confiáveis concordam que a condição pode ter relação com mudanças locais no tendão e com fatores biológicos ainda não completamente esclarecidos, em vez de ser apenas “desgaste por idade”.

Alguns pontos aparecem com mais frequência nos estudos e materiais de referência:

  • Idade entre 30 e 60 anos;
  • Maior ocorrência em mulheres;
  • Acometimento do manguito rotador, principalmente do supraespinal;
  • Possibilidade de ocorrer em um ou nos dois ombros;
  • Relação possível com sobrecarga, mas não exclusiva de quem faz esforço repetitivo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico não depende só do exame físico. A consulta orienta a suspeita, mas os exames de imagem ajudam a confirmar a presença da calcificação e a diferenciar outras causas de dor no ombro.

A radiografia simples é o primeiro exame porque mostra bem o depósito cálcico ao redor do manguito rotador.

A ultrassonografia também é muito útil, já que localiza a calcificação em tempo real, avalia o tendão e ainda pode guiar procedimentos como a lavagem ou barbotagem.

A ressonância magnética entra mais quando existe dúvida diagnóstica, suspeita de lesão associada do manguito ou necessidade de avaliar inflamação e tecidos vizinhos.

Tratamento sem cirurgia: o que funciona primeiro

Na maioria dos casos, o tratamento começa de forma conservadora, que inclui reduzir atividades que pioram a dor, usar analgésicos ou anti-inflamatórios quando indicados pelo médico e iniciar fisioterapia para recuperar movimento, controlar dor e fortalecer o ombro de forma progressiva.

Muitos pacientes melhoram ao longo de semanas ou meses sem precisar de cirurgia.

Quando há bursite associada ou dor inflamatória mais intensa, a infiltração com corticosteroide pode ser considerada em casos selecionados. Ela pode ajudar no controle da crise, mas deve entrar dentro de um plano maior, e não como solução isolada.

Ondas de choque

A terapia por ondas de choque extracorpóreas é uma opção não cirúrgica usada quando a dor persiste ou quando se busca acelerar a melhora em casos selecionados.

Barbotagem ou lavagem guiada por ultrassom

A barbotagem, também chamada de lavagem percutânea guiada por ultrassom, consiste em introduzir agulha no depósito para fragmentar e lavar o material cálcico, sendo uma opção útil para reduzir dor e incapacidade em adultos com tendinopatia calcificante.

Quando a cirurgia pode ser necessária

A cirurgia fica reservada para quem mantém dor e limitação mesmo após tratamento conservador bem feito. O procedimento mais comum é a artroscopia, usada para remover a calcificação e, se necessário, tratar lesões associadas do manguito rotador.

Depois da artroscopia, o tempo de melhora varia. Em muitos casos, o alívio mais importante da dor aparece em alguns meses, mas a recuperação completa pode demorar mais, especialmente se houve necessidade de reparar o tendão.

Como é a recuperação

O prognóstico geralmente é bom. Mesmo quando a dor é muito forte na fase reabsortiva, isso não significa que o quadro vá terminar em cirurgia.

O mais comum é avançar do controle da crise para a recuperação da mobilidade e, depois, para o fortalecimento gradual do ombro e da escápula.

Na volta às atividades, vale seguir três princípios simples:

  • Recuperar movimento antes de forçar carga;
  • Fortalecer sem piorar a dor por vários dias;
  • Retomar esforço acima da cabeça de forma progressiva.

Dá para prevenir?

Como a causa exata não é totalmente conhecida, não existe uma prevenção garantida.

Mesmo assim, depois da melhora vale cuidar de fatores que aumentam sobrecarga do ombro, como ergonomia ruim, repetição excessiva sem preparo, retorno brusco ao treino e fraqueza do manguito rotador e da musculatura escapular.

Manter mobilidade, força e controle do ombro ajuda mais do que descansar demais por longos períodos. Imobilização prolongada pode piorar rigidez e atrasar a recuperação funcional.

Quando procurar avaliação médica mais rápido

Procure avaliação sem demorar se acontecer alguma destas situações:

  • Dor muito intensa que não melhora em poucos dias;
  • Febre, calor importante ou vermelhidão no ombro;
  • Perda importante de movimento;
  • Fraqueza súbita do braço;
  • Dor noturna persistente ou recorrente.
  • Dúvida se o quadro pode ser outra lesão do ombro.

Perguntas frequentes

Tendinite calcificante do ombro tem cura?

Na maioria dos casos, sim. A tendinite calcificante do ombro evolui bem com tratamento conservador, principalmente quando o diagnóstico é feito corretamente e o tratamento respeita a fase da doença. Medicamentos, fisioterapia, infiltração, ondas de choque e barbotagem podem ser indicados conforme a dor, o tamanho da calcificação e a limitação do movimento.

Toda calcificação no ombro precisa ser retirada?

Não. Muitas calcificações não causam sintomas importantes e podem ser apenas acompanhadas. A retirada ou fragmentação do depósito é considerada quando existe dor persistente, perda de função ou falha do tratamento inicial. A decisão depende do exame físico, da imagem e do impacto do quadro na rotina do paciente.

Barbotagem no ombro substitui a cirurgia?

Em alguns casos, a barbotagem pode evitar a cirurgia. O procedimento é feito com auxílio do ultrassom para fragmentar e lavar o depósito de cálcio. É indicado quando a calcificação é acessível e a dor continua mesmo após o tratamento inicial. Ainda assim, nem todo paciente tem indicação para esse método.

Quando a cirurgia é indicada na tendinite calcificante do ombro?

A cirurgia é reservada para casos em que a dor e a limitação persistem mesmo após um tratamento bem conduzido. A artroscopia permite remover a calcificação e tratar lesões associadas, quando existem. A indicação deve ser individualizada, levando em conta sintomas, exames de imagem e resposta aos tratamentos anteriores.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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