Lesão do ligamento ulnar colateral lateral do cotovelo
Entenda causas, sintomas, diagnóstico e tratamento da lesão do ligamento ulnar colateral lateral do cotovelo.
A lesão do ligamento ulnar colateral lateral do cotovelo pode reduzir a estabilidade da articulação, sobretudo em quem repete movimentos de arremesso ou coloca carga alta e frequente no membro superior.
Mesmo sendo muito citada no esporte, ela também aparece em pessoas fisicamente ativas no cotidiano e pode surgir após um trauma.
A identificação ainda nas fases iniciais costuma permitir um tratamento mais bem direcionado e uma recuperação funcional mais favorável para o cotovelo.
Anatomia
O cotovelo é formado pela articulação entre úmero, rádio e ulna, funcionando como uma estrutura de dobradiça associada a um mecanismo de rotação.
O ligamento ulnar colateral lateral integra o complexo ligamentar, responsável por resistir às forças de estresse aplicadas à face interna da articulação.
Ele atua em conjunto com músculos e outras estruturas estabilizadoras, mantendo o alinhamento adequado durante movimentos de alta demanda.
Durante atividades acima da cabeça, como arremessos, ocorre aumento significativo da força em valgo no cotovelo.
Quando essa carga ultrapassa a capacidade adaptativa do ligamento, surgem microlesões que podem evoluir para ruptura parcial ou completa.
Causas da lesão do ligamento ulnar colateral lateral do cotovelo
A principal causa está relacionada à sobrecarga repetitiva. Arremessadores, praticantes de esportes de impacto ou pessoas com técnica inadequada submetem o ligamento a tensões contínuas.
Traumas agudos, como quedas com o braço estendido ou luxações do cotovelo, também podem gerar lesão direta.
Fatores biomecânicos contribuem de forma relevante. Alterações na força do core, limitação de mobilidade do ombro ou desequilíbrios musculares do antebraço aumentam o estresse local.
Quando a cadeia cinética falha, o ligamento passa a absorver cargas que não deveria suportar isoladamente.
Sintomas
O quadro clínico costuma iniciar com dor na região interna do cotovelo durante ou após esforço.
- Em fases iniciais, o desconforto aparece apenas em atividades específicas.
- Com a progressão, pode surgir perda de força, redução de desempenho e sensação de instabilidade.
- Algumas pessoas relatam formigamento no anelar e no dedo mínimo, já que o nervo ulnar fica muito próximo das estruturas envolvidas.
- Nas lesões por trauma, a dor costuma surgir de forma imediata e o cotovelo perde a função na hora, com dificuldade clara para movimentar e apoiar o membro.
Exame médico
A avaliação clínica inclui análise detalhada do histórico, tipo de atividade praticada e exame físico direcionado.
Testes específicos de estresse em valgo ajudam a identificar instabilidade ligamentar. A palpação localizada costuma reproduzir a dor.
Exames de imagem complementam o diagnóstico:
- Radiografias auxiliam na exclusão de alterações ósseas associadas.
- A ressonância magnética permite visualizar o ligamento, identificar rupturas parciais ou completas e avaliar estruturas adjacentes.
- Em casos selecionados, a artro-RM melhora a sensibilidade do exame.
Nesse momento, um ortopedista especialista em problemas no ombro e cotovelo deve ser consultado para definir a gravidade da lesão e o plano terapêutico mais adequado.
Tratamento
O tratamento depende do grau da lesão, perfil do paciente e objetivos funcionais.
Quadros leves ou moderados respondem bem ao manejo conservador, com repouso relativo, controle da dor e fisioterapia focada em estabilização, força e correção biomecânica.
Protocolos de reabilitação trabalham a musculatura do antebraço, ombro e core, reduzindo a sobrecarga no cotovelo.
Programas progressivos de retorno ao esporte são indicados após resolução dos sintomas e recuperação da estabilidade.
Cirurgia
Lesões completas, instabilidade persistente ou falha do tratamento conservador indicam abordagem cirúrgica.
A reconstrução ligamentar, conhecida como cirurgia de Tommy John, utiliza enxerto tendíneo para restaurar a função.
Em situações específicas, o reparo direto do ligamento pode ser considerado, com tempo de reabilitação menor.
Recuperação
No pós-operatório, há um período inicial de imobilização, seguido por mobilização progressiva com órtese articulada. A fisioterapia é etapa central do processo, respeitando protocolos individualizados.
A recuperação total depois de uma reconstrução ligamentar costuma ser longa e pode chegar a 12 a 18 meses, principalmente em atletas que buscam voltar ao mesmo patamar de desempenho.
O acompanhamento ao longo da recuperação permite corrigir a carga, a intensidade e o ritmo dos exercícios, reduzindo o risco de sobrecarga e de recorrência.
Com a identificação precoce e condução bem direcionada, essa lesão costuma ter evolução favorável, com boa retomada da função e volta mais segura ao esporte e às demandas profissionais.
FAQs
A lesão do ligamento ulnar colateral lateral sempre exige cirurgia?
Não. Lesões parciais e quadros iniciais costumam responder bem ao tratamento conservador com fisioterapia estruturada.
Quanto tempo leva para melhorar sem cirurgia?
Em média, de 6 a 12 semanas, variando conforme gravidade, adesão ao tratamento e demanda funcional.
Arremessar com dor pode agravar a lesão?
Sim. Manter a atividade dolorosa aumenta o risco de progressão para ruptura completa.
A cirurgia garante retorno ao esporte?
A maioria dos pacientes retorna ao nível prévio, desde que siga corretamente o protocolo de reabilitação.
Como prevenir novas lesões no cotovelo?
Correção da técnica, fortalecimento global, respeito ao descanso e acompanhamento especializado reduzem o risco.



