Cotovelo

Não consigo esticar o cotovelo depois de uma queda: o que é

Entenda causas, sinais de alerta, cuidados iniciais, exames e tratamentos quando não consigo esticar o cotovelo depois de uma queda.

Uma queda com apoio do braço pode parecer “só uma pancada”, só que, quando surge a sensação de que não consigo esticar o cotovelo depois de uma queda, é algo que merece atenção.

A limitação de extensão pode ocorrer por dor intensa, inchaço, bloqueio mecânico dentro da articulação ou lesões em ossos, ligamentos e tendões.

Em muitos casos, o problema melhora com medidas simples e tempo. Em outros, pode existir fratura, luxação, lesão ligamentar ou até um fragmento “solto” dentro do cotovelo, exigindo avaliação médica.

O ponto central é diferenciar uma limitação causada por dor e edema de um bloqueio verdadeiro. Essa diferença muda o risco e a conduta, principalmente nas primeiras 48 a 72 horas.

Por que não consigo esticar o cotovelo depois de uma queda?

O cotovelo é uma articulação complexa, com superfícies ósseas que encaixam com precisão e ligamentos que estabilizam o movimento.

Após um trauma, alguns mecanismos comuns explicam a perda de extensão:

  • Dor e espasmo muscular: o corpo “trava” para proteger a área lesionada.
  • Derrame articular e inchaço: o líquido dentro da articulação limita a amplitude.
  • Fratura oculta: pequenas fraturas podem reduzir o movimento mesmo sem deformidade evidente.
  • Luxação ou subluxação: pode ter ocorrido redução espontânea, deixando instabilidade e dor.
  • Lesão ligamentar: gera dor, insegurança e limitação funcional.
  • Corpo livre intra-articular: fragmentos de osso ou cartilagem podem causar bloqueio.
  • Lesão tendínea: menos comum, só que possível em traumas mais fortes.

Sinais que aumentam a suspeita de fratura ou lesão importante

Alguns achados merecem prioridade na avaliação, pois aumentam a chance de lesão estruturada:

  • Dor muito forte ao tentar esticar ou girar o antebraço.
  • Inchaço rápido e progressivo.
  • Deformidade, “cotovelo fora do lugar” ou sensação de deslocamento.
  • Hematoma extenso.
  • Dormência, formigamento ou fraqueza na mão/dedos.
  • Mão fria, pálida ou pulso difícil de sentir.
  • Incapacidade de usar o braço para tarefas básicas (segurar um copo, abrir uma porta).

Se algum desses pontos estiver presente, o ideal é avaliação no mesmo dia.

O que fazer nas primeiras horas em casa

Quando não há deformidade evidente nem alteração de circulação/sensibilidade, algumas medidas iniciais ajudam a controlar dor e reduzir o edema:

  • Repouso relativo do membro, evitando esforços e movimentos repetidos.
  • Gelo por 15 a 20 minutos, 3 a 5 vezes ao dia, protegendo a pele com pano fino.
  • Elevação do braço acima do nível do coração sempre que possível.
  • Imobilização confortável com tipoia, sem apertar demais.
  • Analgésicos comuns podem ajudar, respeitando orientações de bula e restrições pessoais.

Evite “forçar para destravar”. Se existe fratura ou lesão ligamentar, insistir pode agravar o quadro.

Quando a limitação vira “bloqueio” de verdade

Um sinal clássico de alerta é a pessoa tentar esticar e sentir um “fim duro”, como se algo impedisse a articulação de completar o movimento, mesmo com esforço moderado e dor tolerável.

Isso pode ocorrer por:

  • Corpo livre dentro da articulação.
  • Fragmento de fratura impactado.
  • Lesões que alteram o encaixe articular.

Nesse cenário, radiografia costuma ser necessária, e exames como tomografia ou ressonância podem entrar na investigação, conforme suspeita clínica.

Exames e avaliação médica

A consulta ortopédica com especialista com experiência em cotovelo começa com exame físico detalhado: pontos de dor, estabilidade, amplitude, teste de ligamentos e avaliação neurovascular (sensibilidade, força, circulação).

Em seguida, a radiografia costuma ser o primeiro exame, pois identifica fraturas, luxações e sinais indiretos de derrame articular.

A tomografia ajuda quando há dúvida sobre fraturas pequenas ou complexas. A ressonância é útil para ligamentos, cartilagem e tendões, principalmente se o cotovelo segue “travado” depois da fase aguda.

Tratamentos mais comuns

O tratamento depende do diagnóstico e da gravidade:

  • Contusão/entorse leve: gelo, repouso, tipoia por curto período e fisioterapia precoce guiada.
  • Fratura sem desvio: imobilização e reavaliações com imagem.
  • Fratura com desvio ou instabilidade: pode exigir cirurgia.
  • Luxação: redução, imobilização temporária e reabilitação; alguns casos pedem cirurgia ligamentar.
  • Lesão ligamentar: reabilitação e, em quadros instáveis, tratamento cirúrgico.
  • Corpo livre/bloqueio mecânico: pode precisar de artroscopia.

A recuperação varia bastante. O objetivo é controlar a dor, proteger estruturas e retomar o movimento na janela certa, evitando rigidez crônica.

Como reduzir o risco de rigidez depois do trauma

O cotovelo tem tendência a ficar rígido quando imobilizado por muito tempo. O plano costuma equilibrar proteção e mobilidade progressiva.

Em geral, exercícios orientados e fisioterapia entram assim que o ortopedista libera, com metas realistas semana a semana.

Quando devo ir ao pronto atendimento?

Procure pronto atendimento se houver:

  • Deformidade.
  • Dor intensa incapacitante.
  • Perda de sensibilidade/força na mão.
  • Mão fria/pálida.
  • Inchaço muito rápido.
  • Suspeita de luxação/fratura.

Na dúvida, a avaliação precoce é mais segura do que esperar.

FAQs

Não consigo esticar o cotovelo depois de uma queda. Isso sempre é fratura?

Não. Pode ser dor e inchaço. Mesmo assim, fraturas pequenas podem passar despercebidas sem exame de imagem.

Quanto tempo é “normal” ficar sem esticar totalmente?

Nas primeiras 48 a 72 horas pode ocorrer limitação por edema. Se não houver melhora progressiva em poucos dias, vale avaliação.

Posso tentar “forçar” o cotovelo para destravar?

Não é recomendado. Se existir fratura, lesão ligamentar ou corpo livre, forçar pode piorar.

Que exame costuma detectar o problema?

Radiografia é o primeiro passo. Tomografia e ressonância entram quando existe suspeita específica ou sintomas persistentes.

Quando a cirurgia é considerada?

Em fraturas com desvio, instabilidade após luxação, lesões ligamentares importantes ou bloqueio mecânico por fragmentos/corpos livres.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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