Ruptura completa do manguito rotador: sinais e tratamento
Entenda sintomas, exames e opções de tratamento da ruptura completa do manguito rotador.
A ruptura completa do manguito rotador está entre as causas mais importantes de dor e perda de função do ombro em adultos.
O quadro costuma incomodar mais à noite, dificulta levantar o braço e reduz a força até em tarefas básicas do dia a dia.
Essa lesão surge quando um ou mais tendões se desinserem do osso.
Com isso, o ombro perde parte da estabilidade e da eficiência mecânica, o que favorece a inflamação e irritação nas estruturas ao redor da articulação.
Nem toda dor no ombro é manguito, e nem toda ruptura exige cirurgia imediata. O ponto decisivo é identificar o tipo de lesão, o tamanho, a retração do tendão e a qualidade muscular.
Uma avaliação com um especialista em lesões do manguito rotador ajuda a confirmar o diagnóstico e evitar erros comuns, como tratar “ombro” quando a origem está na coluna cervical.
O que é o manguito rotador e por que ele rompe
O manguito rotador reúne quatro músculos e seus tendões, que mantêm a cabeça do úmero estável e comandam movimentos mais delicados do ombro: supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor.
Na prática, ele atua como o “alinhamento” da articulação. É o que ajuda a levantar o braço, realizar rotações e manter o ombro firme quando há carga ou esforço.
Na ruptura completa do manguito rotador, existe rompimento em toda a espessura do tendão, com descolamento do osso.
Dependendo do tempo de evolução, pode ocorrer retração do tendão e degeneração do músculo, fatores que pesam na decisão terapêutica e no prognóstico.
Causas da ruptura completa do manguito rotador
As causas se dividem, na prática, em dois grupos. Um é o trauma, quando existe um evento claro. O outro é o processo degenerativo, que evolui em meses ou anos.
- Trauma: queda sobre o braço, tranco com o membro estendido, levantar carga pesada com movimento brusco, acidentes e luxação do ombro podem provocar ruptura completa do manguito rotador, com dor intensa e fraqueza imediata.
- Degeneração: desgaste do tendão com a idade, redução de vascularização local, microtraumas repetidos e sobrecarga crônica. Atividades acima da cabeça no trabalho e no esporte aumentam o risco.
- Fatores associados: tabagismo, diabetes, alterações reumatológicas, variações anatômicas e histórico familiar podem acelerar fragilidade tendínea.
Sintomas mais comuns
Os sintomas variam com o tendão envolvido, o tamanho da lesão e o tempo de evolução. Em geral, a ruptura completa do manguito rotador se manifesta com dor, perda de força e limitação funcional.
- Dor no ombro que piora ao elevar o braço e ao deitar sobre o lado afetado.
- Fraqueza para levantar objetos, alcançar prateleiras ou colocar a mão atrás das costas.
- Perda de movimento, especialmente em elevação e rotação.
- Estalos ou sensação de atrito em certas posições.
- Dor irradiada para a face lateral do braço; quando a dor sobe para o pescoço e escápula, é preciso avaliar coluna cervical como diagnóstico diferencial.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa no consultório. O exame físico a avalia amplitude de movimento, padrões de dor, testes de força e manobras específicas para cada tendão.
A etapa seguinte é confirmar e mapear a lesão por imagem.
- Radiografia: não mostra tendões, mas ajuda a excluir artrose, calcificações, alterações do acrômio e outras causas de dor.
- Ultrassom: pode identificar a ruptura, sendo útil e acessível, dependendo bastante da experiência do examinador.
- Ressonância magnética: exame mais completo para ruptura completa do manguito rotador, pois define o tamanho, retração, tendões envolvidos e sinais de degeneração muscular, dados importantes para planejar o tratamento.
Quando existe perda importante de força ou dor persistente por semanas, vale antecipar a avaliação.
Em rupturas completas, o tempo pode influenciar a reparabilidade, especialmente quando há retração e atrofia muscular progressiva.
Tratamento
O tratamento do manguito rotador é individualizado. Idade, demanda funcional, dominância do membro, intensidade de sintomas, tamanho da lesão e qualidade muscular mudam a conduta.
A ruptura completa do manguito rotador tende a ter melhor resultado quando a decisão é tomada com base em imagem e exame, e não apenas na dor.
Tratamento não cirúrgico
Existe espaço para tratamento conservador em casos selecionados: pacientes com baixa demanda, contraindicação clínica à cirurgia, dor controlável e função aceitável.
O objetivo é reduzir a dor, melhorar o controle escapular e fortalecer a musculatura compensatória.
- Controle de dor com analgésicos e anti-inflamatórios quando indicados.
- Fisioterapia com foco em mobilidade, estabilização da escápula e fortalecimento progressivo.
- Ajuste de atividades que exigem elevação repetida do braço.
- Infiltração pode ser considerada em dor persistente, com critério e orientação médica.
Mesmo com melhora clínica, o acompanhamento é essencial para reavaliar os sintomas e sinais de progressão funcional.
Tratamento cirúrgico
Em muitos pacientes, principalmente ativos e com perda de força, a cirurgia é o caminho mais consistente para restaurar a biomecânica do ombro.
A técnica mais usada hoje é o reparo artroscópico, com sutura do tendão ao úmero, frequentemente com auxílio de âncoras.
Em lesões grandes, retraídas ou com baixa qualidade tendínea, o planejamento pode incluir estratégias adicionais definidas pelo cirurgião.
Os principais critérios que costumam pesar a favor da cirurgia de manguito rotador incluem:
- Dor que não cede com reabilitação bem conduzida.
- Perda funcional relevante.
- Lesão traumática recente.
- Sinais de risco de progressão.
A indicação precisa ser discutida caso a caso, com exame físico e ressonância em mãos.
Como é a recuperação e o pós-operatório
A cicatrização tendínea é lenta. Por isso, o pós-operatório costuma envolver período de imobilização com tipoia, seguido de reabilitação em fases.
O cronograma varia conforme o tamanho da lesão, qualidade do tendão, tensão do reparo e protocolo do cirurgião.
- Primeiras semanas: foco em proteção do reparo e controle de dor, com mobilidade guiada.
- Após liberação: ganho de movimento progressivo, sem forçar acima do recomendado.
- Fortalecimento: entra em etapa posterior, com carga gradual.
- Retorno ao esporte: depende do gesto esportivo e da evolução, podendo exigir vários meses.
Dor nas primeiras semanas é comum, mas dor persistente meses depois pede reavaliação para investigar rigidez capsular, falhas de reabilitação, rerrotura e diagnósticos associados.
Quando procurar um especialista
Procure avaliação quando houver dor noturna frequente, fraqueza para elevar o braço, perda de função que atrapalha rotina ou dor após trauma.
Na suspeita de ruptura completa do manguito rotador, a consulta com um especialista em ombro agiliza o diagnóstico, define os exames certos e organiza o tratamento no tempo adequado.
FAQs
Ruptura completa do manguito rotador sempre precisa de cirurgia?
Não. Há casos em que o tratamento não cirúrgico controla dor e preserva função, principalmente em baixa demanda. A decisão depende de exame, ressonância e impacto na rotina.
Qual exame confirma a lesão com mais precisão?
A ressonância magnética é a mais completa para avaliar tendões, tamanho da ruptura, retração e qualidade muscular. O ultrassom ajuda, com maior dependência do examinador.
Por que a dor piora à noite?
Deitar sobre o lado afetado aumenta compressão e irritação local, e a inflamação tende a incomodar mais em repouso. Também pode existir bursa inflamada associada.
Se eu melhorar com fisioterapia, a ruptura “cicatriza”?
A melhora ocorre por ganho de controle muscular, redução de inflamação e adaptação funcional. O tendão não volta a fixar no osso sozinho, por isso o seguimento clínico é importante.
Quanto tempo leva para recuperar depois do reparo?
A reabilitação é gradual e pode levar meses. Existe fase de proteção com tipoia, depois ganho de mobilidade, e fortalecimento em etapa posterior. O retorno a atividades intensas depende do caso.



