Sintomas e Diagnóstico

Bursite No Ombro Dói O Pescoço?

Saiba por que a bursite no ombro dói o pescoço e veja condutas seguras para tratar, evitar recidivas e melhorar a função.

Muitos pacientes chegam ao consultório querendo saber se bursite no ombro dói o pescoço, dizendo que a dor começou no ombro e “subiu”, travando o pescoço, piorando para dirigir, trabalhar no computador ou até para dormir.

Essa irradiação pode acontecer por mecanismos bem claros: compensações musculares, postura de proteção e inflamação associada a outras estruturas do ombro.

A boa notícia é que, na maior parte dos casos, é possível controlar o quadro com diagnóstico correto e tratamento direcionado, evitando que a dor vire um ciclo de limitação e perda de função.

Bursite no ombro dói o pescoço?

Sim, pode doer. A bursite é a inflamação de uma bursa, uma pequena bolsa com líquido que reduz o atrito entre tendões, músculos e osso.

No ombro, a bursa subacromial é a mais envolvida, principalmente em situações de sobrecarga, movimentos repetitivos acima da cabeça, quedas ou atrito por alterações do espaço subacromial.

Quando o ombro inflama e dói, o corpo “defende” a região: eleva o ombro, encurta a musculatura do trapézio e ativa demais músculos cervicais para evitar certos movimentos.

Com o tempo, essa estratégia gera dor no pescoço, sensação de peso, queimação na região superior das costas e limitação para girar a cabeça.

Por que a dor irradia para o pescoço?

Os motivos mais comuns são:

  • Tensão muscular reflexa: trapézio e levantador da escápula ficam sobrecarregados.
  • Alteração da mecânica da escápula: a escápula “perde ritmo” e exige compensações cervicais.
  • Postura antálgica: o paciente mantém o braço mais colado ao corpo e o pescoço rígido.
  • Associação com outras lesões: tendinopatia do manguito rotador, impacto subacromial e rigidez do ombro podem coexistir.

Sinais que sugerem que não é só bursite

Nem toda dor que começa no ombro e vai ao pescoço é bursite isolada. Algumas pistas levantam outras hipóteses:

  • Formigamento, dormência ou choque descendo para o braço e mão.
  • Perda de força verdadeira, quedas de objetos.
  • Dor que piora muito ao mexer o pescoço, mais do que ao mexer o ombro.
  • Dor noturna intensa com piora progressiva, sem melhora com medidas simples.
  • Histórico de trauma importante.

Esses cenários pedem avaliação clínica cuidadosa, porque pode existir envolvimento cervical (radiculopatia), compressões neurais, lesões do manguito ou capsulite adesiva.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história: quando a dor surgiu, qual movimento piora, se existe irradiação, limitação de amplitude e piora noturna.

Na sequência, o exame físico diferencia dor do ombro de dor originada no pescoço, avalia força, mobilidade, testes específicos do manguito e sinais de impacto.

Exames de imagem podem complementar quando necessário:

  • A ultrassonografia ajuda a ver bursa e tendões em muitos casos.
  • A ressonância magnética entra quando há suspeita de lesões associadas, dor persistente ou falha do tratamento inicial.
  • Radiografias também são úteis para avaliar alterações ósseas e o espaço subacromial.

Tratamento: controle da dor e recuperação do movimento

O tratamento eficaz combina controle de inflamação, correção de fatores mecânicos e reabilitação.

Medidas iniciais que ajudam

  • Ajuste temporário das atividades que disparam a dor (principalmente movimentos acima da cabeça).
  • Analgésicos e anti-inflamatórios quando indicados, respeitando histórico clínico.
  • Gelo em fases dolorosas, em períodos curtos.
  • Fisioterapia com foco em mobilidade do ombro, controle escapular e fortalecimento progressivo.

A infiltração pode ser considerada em casos selecionados, quando a dor impede a reabilitação ou quando a inflamação é importante e persistente.

A decisão depende do exame, do perfil do paciente e do tempo de sintomas.

Os pacientes costumam melhorar mais rápido quando o plano é estruturado e acompanhado por médico ortopedista de ombro e cotovelo, com metas claras: reduzir a dor, destravar o movimento e recuperar a força sem irritar a bursa novamente.

O que evitar para não piorar a dor no pescoço e no ombro

  1. Treinar “por cima da dor”, insistindo em elevações e movimentos repetitivos.
  2. Dormir sempre sobre o ombro doloroso.
  3. Passar horas com ombros elevados e cabeça projetada para frente (computador e celular).
  4. Fazer apenas repouso prolongado, sem recuperação gradual de mobilidade,

Quando procurar atendimento com urgência

Procure avaliação rápida se houver:

  • Febre.
  • Vermelhidão local importante.
  • Dor muito intensa após trauma.
  • Perda súbita de força.
  • Dormência progressiva no braço.
  • Dor que não permite dormir por vários dias e só piora.

FAQs

1) Bursite no ombro pode travar o pescoço?

Pode. A dor muda a postura e aumenta a tensão do trapézio e músculos cervicais, gerando rigidez e limitação do pescoço.

2) Dor no pescoço significa que a causa é na coluna?

Nem sempre. O ombro inflamado pode irradiar e causar compensação cervical. O exame clínico diferencia as origens.

3) Quanto tempo dura a bursite no ombro com dor no pescoço?

Varia. Casos leves podem melhorar em semanas; quadros persistentes exigem reabilitação consistente e revisão do diagnóstico.

4) Infiltração resolve de vez?

Pode aliviar bastante em casos bem indicados, mas a reabilitação e o ajuste de mecânica do ombro seguem essenciais para reduzir recidivas.

5) Posso fazer musculação com bursite no ombro?

Em muitos casos, sim, com adaptações. Evita-se o que agrava a dor e prioriza-se fortalecimento orientado, respeitando fase e tolerância.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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