Fiz Infiltração No Ombro E Continua Doendo: O Que Pode Ser?
Saiba o que é esperado, o que preocupa e quando fiz infiltração no ombro e continua doendo exige novo exame.
Sentir dor e limitação no ombro é um motivo comum de consulta. Quando o paciente faz a infiltração e a melhora não aparece, surge a dúvida: fiz infiltração no ombro e continua doendo, isso é normal?
Em muitos casos, existe uma explicação clínica clara, ligada ao diagnóstico inicial, ao tempo de ação do medicamento e ao tipo de lesão que está por trás do sintoma.
A infiltração não é “cura instantânea” para todo problema do ombro. Ela é uma ferramenta útil para controlar inflamação e dor, facilitar a reabilitação e permitir ganho de movimento.
Só que o resultado depende de fatores como localização correta, indicação adequada e presença de lesões associadas.
Fiz infiltração no ombro e continua doendo: o que pode ser?
Quando a dor persiste, eu costumo revisar três pontos no consultório: diagnóstico, local infiltrado e momento da avaliação.
1) O diagnóstico pode não ser apenas inflamação
A infiltração funciona melhor quando o problema principal é inflamatório, como bursite subacromial, tendinite, capsulite em fases específicas e artrose acromioclavicular sintomática.
Se houver lesão estrutural relevante, a dor pode continuar mesmo com o alívio parcial da inflamação. Exemplos:
- Ruptura do manguito rotador (parcial ou completa).
- Lesão do labrum (SLAP, instabilidade).
- Artrose glenoumeral mais avançada.
- Compressão nervosa (cervical, supraescapular).
- Dor referida do pescoço ou escápula.
2) O local da infiltração precisa estar alinhado com a causa da dor
O ombro tem compartimentos e estruturas diferentes. Infiltrar a bursa pode ajudar na síndrome do impacto e bursite. Já a articulação acromioclavicular é outra região, bem como a articulação glenoumeral.
Quando o local não corresponde ao gerador principal da dor, a resposta tende a ser fraca ou passageira.
3) O tempo de ação varia
Muitos pacientes avaliam o resultado cedo demais. O anestésico pode dar alívio imediato que dura poucas horas.
O corticoide, por exemplo, costuma agir entre 48 e 72 horas, podendo levar até 7 a 10 dias para o melhor efeito em alguns pacientes.
Se a dor está igual no primeiro ou segundo dia, isso não elimina o benefício futuro.
Quando é esperado doer depois da infiltração?
Uma piora transitória pode ocorrer nas primeiras 24 a 48 horas, por irritação local ou “flare” pós-injeção. É menos comum, mas acontece.
O importante é observar o padrão:
- Dor que melhora gradualmente é mais compatível com reação temporária.
- Dor que dispara com febre, vermelhidão importante, calor local intenso ou mal-estar geral exige avaliação imediata.
O que pode manter a dor mesmo com a infiltração funcionando?
Às vezes, a infiltração até reduz a inflamação, só que o ombro segue doloroso por outros motivos:
Fraqueza e compensações musculares
Se o manguito e a musculatura escapular estão fracos, o ombro “trabalha errado”. A inflamação reduz, mas o atrito e a sobrecarga continuam. Nessa situação, fisioterapia bem direcionada faz diferença.
Rigidez articular
Em capsulite adesiva, o grande problema pode ser a rigidez. Mesmo com menos dor, o paciente ainda sente travamento e dor ao fim do movimento.
Sobrecarga precoce
É comum o paciente “testar” o ombro porque infiltrou. Voltar a treinar pesado, levantar peso ou fazer movimentos repetitivos cedo demais pode reativar a dor.
O que fazer?
O caminho mais eficiente é reavaliar de forma objetiva, sem ficar repetindo infiltração por tentativa e erro.
Reavaliar o exame físico e os testes específicos
No consultório, testes direcionados ajudam a separar dor subacromial, lesão do bíceps/labrum, artrose acromioclavicular, instabilidade e capsulite.
Considerar exames de imagem quando indicado
- Ultrassom pode ser útil para tendões e bursa, com boa avaliação dinâmica.
- Ressonância magnética é mais completa para manguito, labrum, cartilagem e lesões associadas.
- Radiografia pode ser decisiva em artrose e alterações ósseas.
Ajustar o plano de reabilitação
A infiltração costuma ser “ponte” para reabilitar melhor. Quando o paciente mantém dor, eu reviso carga, exercícios, postura escapular e estratégias de controle de dor, onde pequenos ajustes evitam recaídas.
Revisar a hipótese de dor cervical
Dor no ombro pode vir do pescoço. Formigamento, queimação, dor que irradia para braço e mão ou piora com movimentos cervicais merecem investigação.
Em muitos cenários, recomenda-se buscar orientação com especialista em ombro para ajudar na recuperação.
Quando a dor é sinal de alerta
Procure avaliação com mais urgência se houver:
- Febre, calafrios, vermelhidão progressiva ou secreção no local.
- Dor incapacitante que não cede e piora rapidamente.
- Perda de força súbita importante.
- Dormência intensa ou alteração de sensibilidade persistente.
- Trauma recente com deformidade ou incapacidade de elevar o braço.
A infiltração pode ser repetida?
Pode, em casos selecionados, com intervalo e indicação bem definidos. Mesmo quando funciona, eu evito “agenda de infiltração”. O foco é tratar a causa, fortalecer, recuperar o movimento e reduzir recidiva.
Repetições frequentes aumentam o risco de efeitos locais e não resolvem lesões estruturais.
FAQs
1) Quanto tempo demora para a infiltração no ombro fazer efeito?
Geralmente entre 48 e 72 horas. Em parte dos pacientes, o pico de melhora pode levar até 7 a 10 dias.
2) É normal piorar a dor depois da infiltração?
Pode acontecer nas primeiras 24 a 48 horas. Se houver febre, vermelhidão intensa ou piora rápida, procure avaliação.
3) Infiltração resolve rotura do manguito rotador?
Não “cola” tendão. Ela pode reduzir inflamação e dor em casos específicos, mas a conduta depende do tipo e do tamanho da lesão.
4) Posso treinar depois de infiltrar o ombro?
Depende. Muitos pacientes precisam reduzir carga por alguns dias e retomar de forma progressiva, alinhado ao diagnóstico e à reabilitação.
5) Se não melhorou, posso fazer outra infiltração logo em seguida?
Em geral, não é o melhor caminho. Primeiro vale confirmar o diagnóstico, revisar o local infiltrado e ajustar tratamento e fisioterapia.


