Bursectomia no ombro: como é a cirurgia de bursite e a recuperação

Bursectomia é a cirurgia que remove a bursa inflamada. No ombro, a remoção é feita por artroscopia e quase sempre acompanhada da descompressão subacromial, que aplaina o acrômio para abrir o espaço por onde o tendão passa. É o caminho para a minoria dos casos de bursite que não melhora com tratamento conservador bem feito.
O nome assusta, mas é uma das cirurgias mais simples do ombro: sem implante, sem tendão para proteger, com alta no mesmo dia e recuperação rápida. O ponto importante é a indicação, porque a bursite raramente precisa ser operada.
Neste artigo o Dr. Thiago Caixeta, cirurgião especialista em ombro em Goiânia, explica quando a cirurgia é indicada, como é feita e o que esperar da recuperação.
Quando a cirurgia entrou em cena
Uma costureira de 56 anos tratou a bursite do ombro direito por catorze meses: duas séries de fisioterapia, duas infiltrações, ajuste da máquina. Melhorava e voltava. A radiografia mostrava um acrômio em gancho, tipo 3, e o ultrassom uma bursa espessa com aderências. O manguito estava íntegro.
A cirurgia, com acromioplastia, durou 40 minutos e ela foi para casa no mesmo dia. Em três semanas costurava, em dez semanas não lembrava mais do ombro. O que fez a diferença não foi tirar a bursa, e sim aplainar o acrômio que a esmagava. O caso reúne situações frequentes de indicação correta.
O que é a bursectomia
Entre o acrômio e o manguito rotador fica a bursa subacromial-subdeltoidea, a bolsa que amortece o deslizamento do manguito rotador sob o acrômio. Quando fica cronicamente inflamada, engrossa, forma aderências e passa a ocupar espaço em vez de reduzir atrito. A bursectomia remove esse tecido espessado com um instrumento de raspagem, por portais de 5 a 8 milímetros, sob visão de câmera. Uma bursa nova, fina e funcional, se forma nas semanas seguintes.
Quando a bursectomia é indicada
Quatro situações levam à indicação. A primeira é a bursite que persiste após seis meses de tratamento conservador completo, com fisioterapia, ajuste das atividades e ao menos uma infiltração. Vem depois a bursite associada a impacto subacromial por acrômio tipo 2 ou 3, esporão ou artrose acromioclavicular, em que só remover a bursa não resolve. Bursite calcificada ou com aderências que travam o movimento é a terceira. E a quarta é a remoção como parte de outra cirurgia, como o reparo do manguito rotador, em que a bursa inflamada sai para dar acesso ao tendão.
Já a bursite no ombro que melhora com fisioterapia e infiltração não é operada. O artigo sobre quando indicar a cirurgia de bursite detalha os critérios.
Bursectomia com ou sem descompressão
Se a bursite tem causa mecânica, um acrômio curvo ou um esporão que comprime o tendão, remover só a bursa deixa a causa no lugar e a inflamação volta. Nesses casos a bursectomia vem junto com a acromioplastia: o cirurgião aplaina a face inferior do acrômio e retira o esporão, ampliando o espaço subacromial. É a descompressão subacromial, e as duas costumam ser feitas no mesmo procedimento.
Quando a bursite é isolada, sem impacto na imagem e no exame, a bursectomia pode ser feita sozinha, o que é mais raro. Os tipos de acrômio definem boa parte dessa decisão.
Como é a cirurgia
O procedimento segue uma sequência fixa. Começa com anestesia por bloqueio do plexo braquial, com sedação ou anestesia geral leve. Dois ou três portais de 5 a 8 milímetros são abertos ao redor do ombro, e a câmera inspeciona a articulação e o espaço subacromial. A bursa espessada é removida com instrumento de raspagem. Quando indicada, a acromioplastia com fresa aplaina o acrômio e libera o ligamento coracoacromial. O manguito rotador é avaliado e, se houver ruptura, reparado no mesmo ato. Os portais fecham com um ponto cada e recebem curativo.
Dura de 30 a 60 minutos. A alta é no mesmo dia na maioria dos casos, e é essa simplicidade que faz a cirurgia render bem quando a indicação está certa.
Recuperação
Primeira semana
Na primeira semana, tipoia por conforto, por dois a cinco dias, não por proteção. Gelo, analgésico e movimento passivo do ombro desde o primeiro dia. Cotovelo, punho e mão livres. A dor do bloqueio anestésico passa em 12 a 24 horas e a dor cirúrgica é controlada com medicação comum.
Semanas 2 a 6
Da segunda à sexta semana, fisioterapia com ganho de amplitude e início do fortalecimento do manguito e da escápula. Retorno ao trabalho de escritório entre 7 e 15 dias, e a dirigir quando o braço se move sem dor, em geral na segunda semana.
Semanas 6 a 12
Da sexta à décima segunda, fortalecimento progressivo e retorno ao trabalho braçal e ao esporte, em geral entre seis e doze semanas. Quando o manguito foi reparado no mesmo procedimento, os prazos passam a ser os do reparo, que são mais longos.
Bursectomia no cotovelo
Na ponta do cotovelo, a bursa do olécrano também pode ser removida quando a bursite olecraniana se torna crônica, recorrente ou infectada. Nesse caso a cirurgia é aberta, por uma incisão pequena na face posterior do cotovelo, e o cuidado principal no pós-operatório é evitar apoiar o cotovelo por três a quatro semanas, para a pele cicatrizar sem que a bursa volte a encher.
Riscos
Baixos. Infecção abaixo de 1%, rigidez transitória que responde a fisioterapia, dor residual quando a causa era outra e não foi tratada, e recidiva da bursite se o impacto não foi corrigido. Lesão de nervo e trombose são raras.
Resultado esperado
Quando a indicação é correta, com bursite crônica e impacto confirmados, a grande maioria dos pacientes fica sem dor e recuperam a função em três meses. O resultado é pior quando a dor vinha de outra fonte, como artrose acromioclavicular não tratada ou ruptura do manguito não reconhecida, e por isso a avaliação antes da cirurgia precisa mapear todas as estruturas do ombro.
Perguntas frequentes
O que é bursectomia?
É a remoção cirúrgica da bursa inflamada. No ombro, é feita por artroscopia, por portais pequenos, e quase sempre junto com a descompressão subacromial, que aplaina o acrômio. Uma bursa nova e fina se forma nas semanas seguintes.
Quando a bursite no ombro precisa de cirurgia?
Quando persiste após seis meses de tratamento conservador completo, com fisioterapia, ajuste das atividades e infiltração, principalmente se houver impacto por acrômio curvo ou esporão. A maioria das bursites não chega a esse ponto.
Quanto tempo leva a recuperação?
Trabalho de escritório em 7 a 15 dias, dirigir na segunda semana, trabalho braçal e esporte entre seis e doze semanas. Se o manguito rotador foi reparado no mesmo procedimento, os prazos são os do reparo, de três a seis meses.
A bursa volta depois da cirurgia?
Forma-se uma bursa nova, fina e funcional, o que é desejável. A bursite só volta se a causa mecânica, como o impacto subacromial, não foi corrigida. Por isso a remoção da bursa costuma vir com a acromioplastia.
A cirurgia é coberta pelo convênio?
Sim. A remoção da bursa e a descompressão subacromial por artroscopia têm cobertura pelos planos de saúde com indicação médica e relatório do cirurgião.
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