Dor no Ombro

Dor no ombro ao levantar o braço: tendinite, bursite ou manguito rotador?

Dor no ombro ao levantar o braço é o sintoma mais comum do consultório de ombro e tem uma assinatura: dói em um trecho do movimento, entre 60 e 120 graus de elevação, e alivia acima disso. É o arco doloroso, e ele aponta para o espaço subacromial, onde o tendão do supraespinhal e a bursa passam por baixo do acrômio.

O que está inflamado ou lesado nesse espaço, se a bursa, o tendão ou os dois, e se há ruptura, é o que define o tratamento. Este artigo explica como diferenciar, quais testes o ortopedista faz e o que fazer.

O Dr. Thiago Caixeta, ortopedista especialista em ombro em Goiânia, explica que a dor ao levantar o braço quase nunca é “só uma inflamação”: ela tem uma causa mecânica que precisa ser corrigida para a dor não voltar.

Uma consulta comum

Uma auxiliar de limpeza de 48 anos conta que a dor no ombro ao levantar o braço começou há dois meses, quando passou a limpar vidros altos num prédio comercial. Dói ao pendurar roupa, ao pegar o pote na prateleira de cima e, há três semanas, de madrugada. Ela mostra com a mão o trajeto: lateral do ombro até o meio do braço.

Arco doloroso entre 70 e 120 graus, Neer e Hawkins positivos, força preservada no teste de Jobe. Radiografia com acrômio tipo 2. É impacto subacromial com bursite, o diagnóstico mais frequente dessa queixa. Infiltração guiada porque a dor impedia os exercícios, dez semanas de fortalecimento e um cabo extensor para o rodo. O caso é composto de situações frequentes.

Por que a dor no ombro ao levantar o braço aparece

Ao elevar o braço, a cabeça do úmero gira sob o acrômio e o tendão do supraespinhal, com a bursa sobre ele, desliza nesse túnel. Se o túnel está estreito, por acrômio curvo, esporão ou artrose acromioclavicular, ou se o tendão e a bursa estão espessados, eles são comprimidos no meio do movimento. É o impacto subacromial. Acima de 120 graus, o tendão já passou pelo ponto de aperto e a dor alivia.

Se o tendão está rompido, além da dor há fraqueza: o braço não sobe, ou sobe com a ajuda do trapézio, que eleva o ombro inteiro.

As três causas mais comuns

Bursite subacromial

Na bursite, a dor fica na lateral do ombro, desce pelo braço, tem arco doloroso e dor à noite ao deitar sobre o lado. A força está preservada. É a causa mais frequente em quem tem entre 30 e 50 anos e faz movimento repetido acima da cabeça. A bursite no ombro tem artigo próprio.

Tendinite do supraespinhal

Na tendinite, o padrão é o mesmo, muitas vezes junto com a bursite, com dor ao sustentar o braço aberto contra resistência. Na forma calcificante, a dor pode ser súbita e muito intensa. A tendinite no ombro costuma vir de sobrecarga e de fraqueza do manguito.

Ruptura do manguito rotador

Na ruptura, a dor vem com fraqueza, e às vezes com o braço que cai ao ser solto. Comum após os 50 anos, com ou sem trauma. Ruptura completa não melhora sozinha e tem melhor resultado quando reparada cedo. O artigo sobre lesão do manguito rotador descreve os graus.

Outras causas

Há causas menos frequentes, cada uma com assinatura própria. Na artrose acromioclavicular, a dor fica no topo do ombro, no fim da elevação e ao cruzar o braço. Na capsulite adesiva, o movimento trava também na forma passiva: o braço não sobe nem com ajuda. Instabilidade dói ao levantar e girar para fora, com sensação de que o ombro vai sair. Discinesia escapular produz uma escápula que não acompanha o braço, com estalos e dor no fim do movimento. E a artrose glenoumeral dá dor e crepitação em todo o arco, com rigidez progressiva.

Dor no ombro ao levantar o braço com estalo

Estalo indolor ao levantar é comum e, na maioria, é a bursa ou o tendão passando sobre o acrômio, ou a escápula deslizando sobre as costelas. Estalo com dor sugere bursite espessada, tendão do bíceps deslocando, lesão do lábio ou artrose. O ombro estalando tem artigo dedicado.

Os testes que o ortopedista faz

No consultório, o exame segue uma ordem. Arco doloroso é o primeiro teste: elevar o braço lentamente e observar se a dor aparece entre 60 e 120 graus, o que indica impacto. Os testes de Neer e Hawkins provocam o impacto do tendão sob o acrômio. O teste de Jobe, sustentar o braço aberto e para a frente contra resistência, avalia o supraespinhal; dor sugere tendinite, fraqueza sugere ruptura. No teste do braço caído, o braço elevado cai ao ser solto na ruptura completa. E a amplitude passiva fecha o exame: se o braço não sobe nem com ajuda, a suspeita é capsulite ou artrose.

A radiografia mostra o tipo de acrômio, esporões, calcificação e artrose. O ultrassom avalia bursa e tendões em movimento. A ressonância confirma ruptura e mede a retração quando o exame sugere.

Tratamento

Bursite e tendinite sem ruptura: ajuste das atividades, gelo nas crises, anti-inflamatório por curto período e fisioterapia com fortalecimento do manguito e da escápula, que é o que abre o espaço subacromial de forma duradoura. Infiltração guiada por ultrassom quando a dor impede a reabilitação. Melhora em seis a doze semanas na maioria.

Ruptura do manguito: reparo por artroscopia em pessoa ativa, com recuperação de quatro a seis meses. Impacto que não melhora após seis meses de tratamento: descompressão subacromial. Capsulite: fisioterapia, infiltração e hidrodistensão.

O que fazer em casa enquanto aguarda a consulta

Enquanto aguarda a consulta, evite levantar o braço acima da cabeça com carga e os movimentos repetidos. Gelo por 15 a 20 minutos depois das atividades que provocam dor ajuda, assim como dormir de costas ou sobre o lado oposto, com o braço apoiado. O exercício pendular, com o braço solto balançando, pode ser feito duas vezes ao dia. E, se houver fraqueza ou se a dor no ombro ao levantar o braço começou após queda, a consulta deve ser em poucos dias, não em semanas.

Perguntas frequentes

Dor no ombro ao levantar o braço: o que pode ser?

Na maioria das vezes, impacto subacromial com bursite ou tendinite do supraespinhal. Se houver fraqueza, ruptura do manguito rotador. Se o braço não sobe nem com ajuda, capsulite adesiva ou artrose. O exame clínico com os testes de impacto e de força diferencia.

Dor no ombro ao levantar o braço acima da cabeça é tendinite?

É a apresentação clássica da tendinite do supraespinhal e da bursite, com dor entre 60 e 120 graus de elevação. A diferença entre as duas é feita no exame e no ultrassom, e as duas costumam coexistir.

Dor no ombro ao levantar o braço e estalo: é grave?

Estalo sem dor é comum e benigno. Estalo com dor sugere bursa espessada, tendão do bíceps deslocando ou lesão do lábio, e merece avaliação. Não é urgência, a não ser que venha com fraqueza ou após trauma.

Não consigo levantar o braço por causa da dor no ombro: o que fazer?

Se o braço não sobe por fraqueza, principalmente após queda ou esforço, a suspeita é ruptura do manguito e a avaliação deve ser feita em poucos dias. Se não sobe por rigidez, nem com ajuda, a suspeita é capsulite adesiva. Nos dois casos, gelo e analgésico aliviam enquanto aguarda a consulta.

Quanto tempo leva para passar a dor no ombro ao levantar o braço?

Bursite e tendinite sem ruptura melhoram em seis a doze semanas com fisioterapia e ajuste das atividades. Casos com infiltração aliviam em poucos dias. Ruptura do manguito não melhora sozinha e, quando operada, leva de quatro a seis meses de recuperação.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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