Patologias do Ombro

Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular: o que muda quando os dois tendões estão afetados

Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular no mesmo laudo significa que dois dos quatro tendões do manguito rotador estão alterados. O supraespinhal é o mais lesado do ombro e aparece em quase todos os laudos de tendinopatia; o subescapular, que fica na frente, é menos conhecido e sua lesão muda o quadro clínico e, às vezes, a decisão de operar.

Este artigo explica o que cada tendão faz, por que os dois adoecem juntos, quais sintomas apontam para um e para outro e como o tratamento é conduzido.

O Dr. Thiago Caixeta, ortopedista especialista em ombro em Goiânia, recebe com frequência pacientes preocupados com o laudo de dois tendões, e a primeira informação é: tendinopatia não é ruptura, e a maioria trata sem cirurgia.

O laudo que assustou

Um bancário de 53 anos chegou com a ressonância na mão e a frase grifada: “tendinopatia do supraespinhal e do subescapular, sem ruptura”. Ele já tinha lido na internet que eram dois tendões do manguito e entendeu que o ombro estava “acabando”. Dor moderada ao levantar o braço e ao abotoar a camisa, nada à noite.

O exame confirmou o que o laudo dizia e mostrou o que ele não dizia: força normal nos dois tendões e nenhum sinal de ruptura. Tratamento: fortalecimento do manguito com elástico, com atenção à rotação interna, ajuste do treino de musculação e três meses de paciência. Sem infiltração, sem cirurgia, sem ressonância de controle. O caso é composto de situações frequentes.

O que cada tendão faz

Por cima da cabeça do úmero, sob o acrômio, passa o supraespinhal, que, inicia a elevação do braço. É o tendão que sofre o impacto subacromial e o que mais se desgasta com a idade. O artigo sobre tendinopatia do supraespinhal aprofunda esse tendão.

Já o subescapular é o maior e mais forte do manguito. Fica na frente do ombro, sob o coracoide, e faz a rotação interna: levar a mão às costas, abotoar, empurrar. Também segura o tendão do bíceps no lugar; quando o subescapular se lesiona, o bíceps costuma deslocar.

Por que a tendinopatia do supraespinhal e do subescapular aparece junta

Desgaste pela idade é a explicação mais comum. A partir dos 50 anos, a irrigação dos tendões diminui e o manguito degenera como um todo; o supraespinhal vai primeiro, o subescapular em seguida. O impacto também tem duas faces: acrômio curvo comprime o supraespinhal, coracoide muito próximo do úmero comprime o subescapular, e quem tem um tipo de impacto pode ter o outro.

A lesão que se propaga é o terceiro mecanismo. A ruptura do supraespinhal desestabiliza o intervalo rotador, a região entre os dois tendões, e sobrecarrega o subescapular. E o trauma pode atingir os dois: queda com o braço em rotação externa forçada lesa o subescapular, queda sobre o ombro lesa o supraespinhal.

Sintomas que diferenciam

Supraespinhal

Do lado do supraespinhal, a dor fica na lateral do ombro que desce pelo braço, com o arco doloroso entre 60 e 120 graus ao levantar, com dor à noite ao deitar sobre o lado e com fraqueza para elevar o braço e sustentá-lo aberto.

Subescapular

Do lado do subescapular, a dor fica na frente do ombro, junto ao coracoide, e a fraqueza aparece ao levar a mão às costas e ao empurrar. Abotoar, prender o sutiã e alcançar o bolso de trás ficam difíceis. A rotação externa do braço aumenta em relação ao outro lado e, se o bíceps deslocou, há um estalo na frente do ombro.

No exame clínico, o teste de Jobe avalia o supraespinhal, e os testes de lift-off, belly-press e bear-hug avaliam o subescapular. A combinação dos dois testes positivos, com o laudo, confirma o quadro.

Tendinopatia, ruptura parcial e ruptura completa

A tendinopatia do supraespinhal e do subescapular, na forma pura, é a degeneração do tendão, com espessamento e alteração de sinal na imagem, sem descontinuidade das fibras. Ruptura parcial é a interrupção de parte das fibras; ruptura completa, de toda a espessura, com retração. O laudo deve dizer em qual estágio está cada tendão, porque a conduta é diferente: tendinopatia e rupturas parciais pequenas tratam sem cirurgia; rupturas completas, principalmente do subescapular, costumam ser operadas mais cedo.

Por que a lesão do subescapular merece atenção

Mais forte do manguito, o subescapular é também o tendão mais difícil de reparar depois que retrai, porque fica na frente, perto de estruturas nobres, e o músculo atrofia rápido. Uma ruptura completa do subescapular em pessoa ativa tem indicação de reparo precoce, em semanas, não em meses. A tendinopatia sem ruptura, por outro lado, responde bem à reabilitação.

Tratamento

Tendinopatia dos dois tendões, sem ruptura

Sem ruptura, o tratamento é fisioterapia com fortalecimento do manguito, com atenção especial à rotação interna e externa e aos estabilizadores da escápula. Ajuste das atividades, principalmente as que levam o braço acima da cabeça e as que empurram com carga. Anti-inflamatório por período curto. Infiltração subacromial guiada por ultrassom quando a dor impede a reabilitação. Duração habitual: três a quatro meses. O artigo sobre fisioterapia para tendinite no ombro orienta as fases.

Com ruptura parcial

Mesmo tratamento, com acompanhamento mais próximo. Rupturas parciais que atingem mais da metade da espessura e não melhoram em três a seis meses são reparadas por artroscopia.

Com ruptura completa

Com ruptura completa, reparo por artroscopia, com âncoras. Quando os dois tendões estão rompidos, os dois são reparados no mesmo procedimento. A recuperação leva de quatro a seis meses, com tipoia nas primeiras seis semanas. Em pacientes idosos com rupturas irreparáveis e artrose, a prótese reversa é a saída.

Musculação e trabalho

Com tendinopatia dos dois tendões, os exercícios que mais sobrecarregam são supino, desenvolvimento, elevação lateral com carga alta, paralelas e remada com pegada aberta. Eles são substituídos por trabalho de manguito com elástico, remada com pegada neutra e exercícios de escápula. Trabalho braçal e acima da cabeça é ajustado durante a reabilitação, com atestado quando necessário.

Perguntas frequentes

Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular é grave?

Tendinopatia é degeneração do tendão, não ruptura, e a maioria trata sem cirurgia com fisioterapia e ajuste das atividades. O que muda o cenário é a ruptura completa, principalmente do subescapular, que tem indicação de reparo mais precoce.

Qual a diferença entre supraespinhal e subescapular?

O supraespinhal fica em cima do ombro e inicia a elevação do braço; é o tendão que sofre o impacto sob o acrômio. O subescapular fica na frente, faz a rotação interna, como levar a mão às costas, e segura o tendão do bíceps no lugar.

Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular tem cura?

Sim. Com fisioterapia dirigida, ajuste das atividades e, se necessário, infiltração, a maioria fica sem dor e com função normal em três a quatro meses. O tendão degenerado não volta a ser jovem na imagem, mas deixa de doer e recupera força.

Preciso operar tendinopatia dos dois tendões?

Não, se não houver ruptura completa. A cirurgia é indicada para ruptura completa em pessoa ativa, para ruptura parcial que passa da metade da espessura e não melhora, e para casos que não respondem a seis meses de tratamento conservador.

Posso fazer musculação com tendinopatia do supraespinhal e do subescapular?

Sim, com ajustes. Evitar supino, desenvolvimento, paralelas e elevação lateral com carga durante a fase de dor, e trabalhar manguito e escápula com elástico e cargas leves. A liberação para os exercícios pesados vem com o fim da dor e o ganho de força.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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