Patologias do Ombro

Tendão rompido volta ao normal? O que esperar no ombro, com e sem cirurgia

Tendão rompido volta ao normal? No ombro, a resposta honesta é: depende de que tendão, de que tipo de ruptura e do que se entende por normal. O tendão em si, uma vez rompido por completo, não volta a se prender sozinho ao osso. A função do ombro, por outro lado, pode voltar quase ao normal com o tratamento certo, com ou sem cirurgia.

A confusão nasce de duas coisas diferentes: melhora clínica, que é parar de doer e recuperar movimento, e cicatrização anatômica, que é o tendão voltar a estar preso onde estava. Uma acontece com frequência sem cirurgia; a outra, na ruptura completa, só com o reparo.

O Dr. Thiago Caixeta, ortopedista especialista em ombro em Goiânia, explica neste artigo o que acontece com cada tipo de ruptura e o que é possível esperar em cada caminho.

Dois pacientes, a mesma pergunta

Um agricultor de 71 anos e um professor de educação física de 46 chegam na mesma semana com a mesma ressonância: ruptura completa do supraespinhal, retração pequena, músculo ainda preservado. Os dois perguntam se o tendão rompido volta ao normal. A resposta é diferente para cada um.

O agricultor, que já não trabalha com os braços acima da cabeça e sente pouca dor, seguiu com fisioterapia; em três meses levantava o braço até a altura do ombro sem dor, e isso bastava para a vida dele. O professor, que dá aula de vôlei, foi operado: seis meses depois estava sacando de novo. Nenhum dos dois tendões “voltou ao normal” sozinho. O que voltou foi a função de que cada um precisava. Os casos são compostos de situações frequentes no consultório.

Qual tendão rompeu faz diferença

No ombro, os tendões que mais rompem são os do manguito rotador, principalmente o supraespinhal, e o da cabeça longa do bíceps. O comportamento é diferente.

Quando o tendão da cabeça longa do bíceps rompe, ele retrai e forma a bola do sinal de Popeye no braço. Na maioria dos adultos ele não é reparado, porque a segunda inserção do bíceps compensa e a perda de força é pequena. O braço não volta ao aspecto normal, mas a função sim.

Já o manguito rotador é outra história. Ele é o que levanta e gira o braço, e uma ruptura completa deixa o ombro fraco e dolorido. É sobre ele que a pergunta do título costuma ser feita. O artigo sobre rompimento do tendão do ombro descreve como a lesão acontece.

Ruptura parcial: o tendão pode voltar ao normal

Na ruptura parcial, parte das fibras se rompe e parte continua presa ao osso. O tendão ainda funciona. Com fisioterapia dirigida ao manguito e à escápula, ajuste das atividades e, quando necessário, infiltração para controlar a dor, a maioria das pessoas recupera função e fica sem dor em dois a quatro meses.

As fibras rompidas não se regeneram como eram, mas as fibras que ficaram se fortalecem e o ombro reaprende a trabalhar sem sobrecarregar a área lesada. Na ressonância de controle, a lesão costuma aparecer igual, mesmo com o paciente bem. É a melhora clínica sem cicatrização anatômica, e para a maioria das rupturas parciais é um resultado excelente. A ruptura parcial do manguito rotador só é operada quando atinge mais da metade da espessura do tendão e não melhora com o tratamento.

Ruptura completa: o tendão não volta sozinho

Quando o tendão se solta por inteiro do osso, o músculo puxa a ponta para trás e ela fica a alguns milímetros ou centímetros da inserção original. Não existe mecanismo biológico que faça o tendão atravessar esse espaço e se prender de novo. O artigo sobre se o tendão do ombro rompido se regenera aprofunda a biologia.

Com o tempo acontece o contrário: o tendão retrai mais, o músculo atrofia e é substituído por gordura, e o reparo fica mais difícil. Em um ou dois anos, uma ruptura que era reparável pode virar irreparável.

Sem cirurgia

Mesmo assim, algumas pessoas com ruptura completa vivem bem sem cirurgia. Em geral, são pacientes acima de 65 ou 70 anos, com demanda leve, em que os outros tendões do manguito e o deltoide compensam. A fisioterapia ensina o ombro a levantar o braço com o que sobrou. A dor melhora, o movimento volta em parte, mas a força para atividades acima da cabeça não retorna por completo, e a lesão continua evoluindo.

Com cirurgia

Por artroscopia, o reparo prende o tendão de volta ao osso com âncoras e fios. A partir daí, o tendão cicatriza no osso ao longo de três a seis meses, e é essa cicatrização que devolve a força. Em rupturas pequenas e médias, operadas cedo, a cicatrização acontece em mais de 80% dos casos e a função volta perto do normal em seis a doze meses. Em rupturas grandes e antigas, a taxa de cicatrização cai, mas a dor melhora na maioria mesmo assim.

Tendão rompido volta ao normal: o que isso significa na prática

Dor melhora na grande maioria, com ou sem cirurgia, quando o tratamento é bem conduzido. O movimento volta em quase todos os casos, com fisioterapia. A força é o item que separa os caminhos: depende de o tendão estar preso ao osso. Ruptura parcial tratada mantém força boa; ruptura completa sem cirurgia deixa a força reduzida acima da cabeça; ruptura completa reparada e cicatrizada devolve força próxima do normal.

Imagem é o último critério, e o que menos importa para o paciente. A ressonância não volta ao normal na ruptura parcial tratada sem cirurgia, e mostra o tendão reinserido depois do reparo bem-sucedido. Um ombro sem dor e com força, mesmo com laudo alterado, é um ombro que voltou ao normal para todos os efeitos práticos.

Quando a cirurgia é o caminho

Cirurgia é o caminho na ruptura completa após trauma em pessoa ativa, de qualquer idade, e na ruptura completa com perda de força em quem trabalha com os braços ou pratica esporte. Também entra na ruptura parcial que atinge mais da metade do tendão e não melhora após três a seis meses, e sempre que dor e fraqueza persistem apesar de tratamento conservador bem feito.

Quanto mais cedo a ruptura completa é reparada, maior a chance de cicatrização e de retorno da força. A cirurgia de tendão do ombro rompido é feita por artroscopia, com alta no mesmo dia, e a recuperação segue etapas ao longo de seis meses.

Como saber se a minha ruptura é parcial ou completa

Saber se o tendão rompido volta ao normal começa pelo exame clínico, que dá a primeira pista: perda de força para levantar o braço contra resistência e o braço que cai ao ser solto sugerem ruptura completa. A ressonância confirma o tipo, o tamanho, a retração e a qualidade do músculo, que são os dados que definem se o tendão é reparável e se vale a pena operar.

Perguntas frequentes

Tendão rompido volta ao normal sem cirurgia?

A ruptura parcial pode voltar a funcionar normalmente com fisioterapia, embora as fibras rompidas não se refaçam na imagem. A ruptura completa não volta a se prender ao osso sem cirurgia; a dor e parte do movimento podem melhorar, mas a força acima da cabeça fica reduzida.

Quanto tempo leva para um tendão do ombro rompido cicatrizar?

Depois do reparo cirúrgico, o tendão leva de três a seis meses para cicatrizar no osso, e a força volta ao longo de seis a doze meses. Sem cirurgia, não há cicatrização da ruptura completa; o que acontece é adaptação dos outros músculos.

Tendão rompido no ombro pode piorar com o tempo?

Sim. A ruptura completa tende a aumentar, o tendão retrai e o músculo atrofia. Em um ou dois anos, uma lesão reparável pode se tornar irreparável, e a única opção passa a ser a prótese reversa. Por isso a avaliação precoce importa.

Depois da cirurgia o tendão fica igual ao original?

Fica preso ao osso e funcional, mas o tecido cicatricial não é idêntico ao tendão original. Na prática, a força e o movimento voltam próximo do normal em rupturas pequenas e médias operadas cedo. Rupturas grandes e antigas têm resultado funcional bom, mas com força um pouco menor.

Ruptura parcial do manguito rotador vira completa?

Pode. Rupturas parciais que atingem mais da metade da espessura do tendão têm maior chance de progredir. Por isso as parciais são acompanhadas e tratadas, e as que não melhoram ou aumentam são reparadas antes de se completarem.

Dr. Thiago Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, RQE 8070. Membro da SBOT, SBCOC, SBRATE e SLARD.

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